terça-feira, março 20, 2007
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
Crescimento
um tal desengonçado e inseguro
pensando unicamente no futuro
e nunca mais no que já feneceu
Da cama eu caía ali por perto
buscando o aumento na lembrança
mudança invisível que me alcança
por tempo que não é sabido ao certo
Vi-me aqui fora, cristalino,
e, no espelho, imagem que não some,
forçamos meu caminho no destino.
De quem eu vi, eu nem sabia o nome
Vi-me alegre por não ver menino
vi-me alegre por não ver um homem
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Outro jeito
límpida,
milimétrica,
és tão bonita que quero imperfazer-te
diversa como a diversão
espero ter-te na mão que tirita
perversa como a razão
que se descobre não-racional
e, nobre, se verte no mal
que se chama emoção.
Não há outra maneira de jogar o jogo da maneira que eu jogo.
terça-feira, janeiro 09, 2007
sábado, dezembro 16, 2006
Consolide
mas não sabes de antemão
se a fraqueza é a solidez
ou se a força é a solidão
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Sobre a escolha
ela naturaliza a eternidade
faz do encontro a despedida,
aproxima-te da morte.
De um tiro só, mata o acaso;
agridoce decisão de ordem
subscreve em tua vida um prazo.
Forja-te adulto, incauto, inculto.
A mestra das encruzilhadas
edita o entrópico insulto.
Mas, das coisas imateriais, a medida
nada mais é que um gargalo
de onde brota força de vida...
quinta-feira, novembro 30, 2006
A ventura
humanos para o alto!
A ventura
é vento de loucura
Qualquer sorte
de grandeza
às vezes é a morte
às vezes,
a fortuna
terça-feira, outubro 31, 2006
Solidez
na pausa cuja causa é a ação
ou o vento da vida imposta
Antigos sonhos têm hoje a realidade da poeira,
sólida e de passagem
Daqui vejo a paisagem viva
esperando que o panorama
se torne perspectiva,
sólida como miragem...
Os sonhos estão acima de mim,
de minha retidão e torpeza,
num tear e desfiar sem fim,
numa sólida imagem!
As escolhas são como a juventude doce, ou mais,
em que os sonhos não se concretizam,
paralisam
e todas as possibilidades são reais
terça-feira, setembro 19, 2006
Sobre a nova casa
se o céu seu é azul
se o seu sol é fornalha,
não viste a cidade-avião,
em forma de cruz.
O lar dos três elementos:
o fogo que queima de cima
o ar que esfria para amar
o pó que engasga e anima
e a água que não há,
a não ser em Paranoá
e suas ondas azuis.
terça-feira, setembro 12, 2006
Feriadão
pra acertar os relógios errados
E não obstante a falta de asas
no feriadão voamos juntos
quinta-feira, agosto 31, 2006
Adaptação
reverberam
nas paredes da casa a esmo
da casa que não é a ninguém mais
são meus
é minha
são minhas
só minhas
só eu
só
aqui.
Faltam aqui receptores
no deserto
para eivar-me de balas
ou de flores.
-- Se não há ninguém por perto,
por que não te calas?
domingo, julho 30, 2006
Braço curto
e cidades e estados e desencontros e lamentos
com sentimentos e tecnologias sensíveis falhas
e mil quilômetros e falta de trocados
e vidas profissionais e desentendimentos
com o tudo-o-mais cotidiano que atrapalha
e o passar das horas.
Todos me impedem de fazer o que quero agora
... estender a mão e te fazer um carinho.
Marcus 30.07.06
sábado, julho 08, 2006
Verde grama
e vejo o futuro que já passou
e os olhos tristes de mágoa
e a solidão espreita à distância
todos os sonhos que nem nasceram
todas as auroras que já morreram
pelo presente, que sacramenta o passo inevitável
ultrapassarei
a porta em que um mundo novo me espera
mas só consigo pensar no que deixei
para trás
na porta (em) que agora bate(s)
Marcus 08.07.06
quinta-feira, junho 22, 2006
Só pra extravasar
Valeu todo mundo que acreditou, vou em busca do sonho!
Depois falo melhor, essa é só pra extravasar...
E quem tiver dicas de onde morar em Brasília, por favor me conte logo!!
quarta-feira, maio 31, 2006
O peso
não era de corpo no corpo
mas sim de puro abandono.
Inadvertidamente
verti a noite em lamento,
meu sono saiu pelos olhos
por horas e horas sem fim.
O peso dos pensamentos
ruiu o suporte de mim.
Escombros, peço passagem.
Desmonto o seu desespero
em busca de nova coragem.
Marcus 31.05.06
domingo, maio 28, 2006
Machs einfach
es ist spät oder auch früh
und ich mach was was ich noch nie
zuvor getan hab was ich noch nie
zuvor getan hab
ich fahre durch nasse strassen
ich will alles nichts verpassen
zwischen traum und tag
zwischen traum und tag
ich hab ein ziel
ich weiss genau was ich nicht will
ich will dich nicht kennen
will nichts von dir wissen
wenn wir uns wieder trennen
werd' ich dich nicht vermissen
langsam geh ich durch die räume
ich geh durch meine dunklen träume
ich bin bereit
trinke tropfenweise zeit
terça-feira, maio 23, 2006
Vidas paralelas
é o constantemente perto.
Corro tendo-te ao lado
prum destino que é certo:
não ser por ti transpassado
--o que ainda é bonito;
pois, se estamos separados,
convergimos no infinito.
Marcus 22.05.06
terça-feira, maio 16, 2006
Testemunha Ocular
Diante de toda aquela confusão
me dei conta de que também
precisaria me proteger
Proteger do quê?
Mesmo sem saber,
me pus a correr
para não sofrer
15 viaturas
8 cavalos
5 motos
50 homens do comando militar
se atropelavam disputando qualquer espaço
com a comunicação que também estava lá
Registrando o tumulto de cima do muro
estava um cinegrafista amador
abismado com a cena terrível
a coisa mais bizarra
que um dia em sua vida ele já gravou
Escutem! Testemunha ocular!
(Pânico em esse-pê!) (2x)
O povo no pinote
os cavalos no trote
derrubavam tudo que havia pela frente
dor, medo,
angústia, revolta
lágrimas na fuga dos inocentes
Alguns corriam pra suas casas
pensando esse ser um bom lugar
para se salvar
Outros desesperados,
mas não com aquele fato,
e sim pelo fato de não ter aonde morar
O problema todo acontecendo
e o público privilegiado
assistindo a tudo aquilo
rindo à toa
com a família numa boa
se deliciavam com aquele agito
segunda-feira, maio 15, 2006
Estranhamento
Anistia
Beijos e abraços
quarta-feira, maio 10, 2006
Na transcendente
viu o seu de fora
e naquela hora
desejou o louvor
que já evadira.
Ao tornar-se o sonho
percebeu tristonho
que se reduzira.
Marcus 09.05.06
Economia
recorta o esquadro
no quarto
amplia o quadro
exato
Economentira
revolta, volta
na porta
A vida é a vida
torta
Econometia
aborda e usa
a louca
transborda e lambuza
a boca
Econometrava
desfeita agora
é feita
A hora é
imperfeita
Economiava
quieta e reta
um parto
bem ali no canto
do quarto
Marcus 09.05.06
quinta-feira, maio 04, 2006
No time to play
cutucou meu cadáver e ele nem mexeu
Onde está
onde está
o tempo que era meu?
quinta-feira, abril 27, 2006
Pendulando
o nada logo prevalece
Meu som pranteado cruza a treva
e volta
O oco escuro e cúbico
nota o cavo profundo da alma
reverbera
no peito ressoa
desespera
mas se esvazia
e me deslustra
mas me deslumbra
e sente o dia.
Acabo de acordar.
Distraído, percebo que já esqueci o sonho.
Marcus 27.04.05
domingo, abril 23, 2006
Inconstância
pois a lua é mutante no céu
ela ama, inflama e fere
e faz aviões de papel.
A lua errática desatina
pois não possui luz, mas reflexo
do sol que a ilumina
nas noites quentes de sexo.
Entre a estrela e a lua, já disse, sou lua
pois a lua é inconstante
às vezes, amiga
às vezes, amante.
Marcus 19.04.06
sexta-feira, abril 21, 2006
Oito dias
Tem menos de duzentas pessoas, cem vagas, estamos dentro dos 30 melhores so far!
É a hora da fé, e do estudo!
Vou passar um bom tempo sem passar por aqui, mas espero boas energias de todos vocês!
Desejem-me sorte!
(E deixem comentários!)
Žert
--
Sempre gostei de brincadeira,
mas dela virei vítima.
Como bom apostador, nunca paguei todos os meus blefes.
E meu blefe
despretensioso
desinteressado
feito assim de brincadeira
você não aceitou.
E o que pouco importava
imensamente me frustrou.
Marcus 21.04.06
Concentração
concentra a ação
no centro.
Centros concêntricos
centralizam as margens
paralisam
na marginalização.
O sítio são flores
são cores
são livros.
E tudo é só estudo.
Falta tu.
Marcus 21.04.06
O vento sudoeste
as pontes não objetam o outro lado.
Como em um cérebro bêbado, em minha vida
sobrelevam as sinapses falidas.
Acordei com ressaca após beber nada.
A ressaca subiu a praia
chegou na calçada
molhou os pés.
O cheiro de chuva vem do sul, do oeste,
recolhe a embarcação o pescador.
Mas o novo dia de fé me veste
se vem a ventania do amor.
Marcus 21.04.06
sexta-feira, abril 14, 2006
Capricho
e no processo
tornei-me bicho.
O instinto é coisa tinta
é coisa tonta
adjacente.
Marcus 14.04.06
Luciferiando a dois
ruas da vergonha
Duas almas alíferas ceifadas se chocaram
desnorteio momentâneo
enlevo sucedâneo
do sangue que ainda jorrava das costas
Fumaças negras se elevaram em espiral
O cáustico invadiu as carnes dos homens
Um rufar sinistro se elevou sobre as cores
E com o soar dos pratos veio o sol
sol que indiscrimina todos
A rua não deixou de ser de vergonha
mas mesmo desalados eles ganharam
o ar
a noite
a cama
e dia após dia estatuíram
que amor impuro não deixa de ser amor
Marcus 14.04.06
terça-feira, março 28, 2006
La espera
---
Antes que suene el presuroso timbre
y abran la puerta y entres, oh esperada
por la ansiedad, el universo tiene
que haber ejecutado una infinita
serie de actos concretos. Nadie puede
computar ese vértigo, la cifra
de lo que multiplican los espejos,
de sombras que se alargan y regresan,
de pasos que divergen y convergen.
La arena no sabría numerarlos.
(En mi pecho, el reloj de sangre mide
el temeroso tiempo de la espera.)
Antes que llegues,
un monje tiene que soñar con un ancla,
un tigre tiene que morir en Sumatra,
nueve hombres tienen que morir en Borneo.
Ansiedade
O ponteiro corre lânguido na mão
Sou candidato e também o réu.
Lots of things happening, all at the same time over and underneath and undercover
Ansioso em te ver
Que o tempo passe
que o dia termine
que a vida se anime
que a treva não me cace
que venha o que há de ser.
Fucking rollercoaster.
Marcus 28.03.06
Esperança
sexta-feira, março 17, 2006
Passado e presente
"Eu curto birita pra caramba. Se vc vai ler isso aqui, saiba q eu vou provavelmente escrever aqui chapado algum dia. Por enquanto não, eu apostei com a Karen, uma mina da facu, que o dia q ela parasse de fumar eu parava de beber. Q aposta burra, eu sei, mas eu achei q ela nunca iria parar. Mas parou. E por causa dela já estou 5 dias sem beber... qdo acaba isso?"
---
For the record: muito tempo se passou, mas a gente continua se cobrando. A Karen nunca parou de fumar por um tempo respeitável. E eu estou novamente há 5 dias sem beber.
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Ein Elefant für dich
Liebe, kein Problem wenn du ein bisschen traurig bist. Ich werd' ein Elefant für dich.
(de Wir Sind Helden, do álbum "Von Hier An Blind")
Ich seh uns beide, du bist längst zu schwer
Für meine Arme, aber ich geb dich nicht her
Ich weiß, deine Monster sind genau wie meine
und mit denen bleibt man besser nicht alleine
Ich weiß, ich weiß, ich weiß und frage nicht
Halt dich bei mir fest, steig auf, ich trage dich
Ich werde riesengroß für dich
Ein Elefant für dich
Ich trag dich meilenweiter
Übers Land
Und ich
trag dich so weit wie ich kann
Ich trag dich so weit wie ich kann
Und am Ende des Wegs, wenn ich muss
trage ich dich
trag ich dich über den Fluss
Einer der nicht sollte, weint am Telefon
Und eine die nicht wollte,
weint und weiß es schon
Deine Beine tragen dich nicht wie sie sollten
So oft gehen die,
die noch nicht weg gehen wollten
Ich weiß, ich weiß und ich ertrag es nicht
Halt dich bei mir fest, steig auf, ich trage dich
Ich werde riesengroß für dich
Ein Elefant für dich
Mood indigo
Já o que é não é remediável, remediado está.
O pior de tudo é ser incapaz. Um espectador no palco da vida, que se vê objeto e não sujeito de uma situação. E não consegue mudá-la, o que necessariamente significa que o problema já está remediado.
Estou triste. Por ser incapaz de deixar alguém feliz.
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
365
Um coração bate na parede, outro em cima do computador, mas nada como os que estão no peito e se procuram...
Um abraço forte a todos, de pura felicidade!
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Anticlímax
É bastante tempo pra rezar! You all, wish me luck!
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
terça-feira, fevereiro 07, 2006
Sinapses
Perdoem-me os que carecerem de atenção neste momento. Meu objetivo clama por mim.
Verbal Kint está a quatro dias de atirar. Logo poderá se transformar em Soze.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Palavra de ordem
E a contagem regressiva já recomeçou: NOVE...
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Envilecimento
mas nuvens logo o dominaram
e com rápido esforço enterraram
um sonho finado do porvir.
E ao gris nosso corpo acostumado
vê anos que escorrem pelos dedos.
Se as chances perdidas viram medo,
radicais livres não são os culpados
por nosso envelhecimento.
A sombra que sempre nos testa
gorjeia cada vez mais no vento
e prolifera na luz sua fresta.
Eis que minha velhice aumento
se um sonho a menos me resta.
Marcus 30.01.06
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Roulette russe
atira
mira
resta
rien à voir
Tento treino tenso
atiro
tiro
testa
tiens le voir
sento penso manso
suspiro
cesta
sesta
vamos comemorar!
Marcus 26/01/06
Isolado
lá há noite iluminada
um salto para o vazio.
Frio, frio!
Não quero pensar em dinheiro.
Preciso dormir, mas
nos tentáculos dos lençóis
mora a luz que têm mil sóis.
Em minha mente sonolenta
a maré se arrebenta.
Alma que agora jaz,
verás do que sou capaz.
Marcus 26/01/06
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Shaft wannabe
Hehehe, can you dig it?
Recados no comments
bem quando sou seu
faz-me sair sem querer
ó dor maldita
dói duas vezes
mas só uma pra valer
se inflama e irrita
ela faz doer mais
por não poder mais te ver.
Marcus 03/04/05
--
A melodia ecoa
reverbera ali, macia
e lentamente a noite vira dia
Marcus 02/03/05
quarta-feira, janeiro 04, 2006
As we were speaking of dreams...
Fiquei intrigado ao fazer um balanço de 2005, que marcou uma nova fase pra mim. Um ano em que encontrei mais paciência para lidar com meus desafios, ainda que a impulsividade sempre tivesse funcionado. Foi ano da descoberta e geração de alguns e graves problemas, que não importaram nadinha. E da descoberta de algumas e gigantescas felicidades, que fizeram toda a diferença.
O ano começou tranqüilo desta vez, nada como o anterior, em que eu buscava novas perspectivas pra minha vida. Que por sua vez vai bem, obrigado. O 2006 envolve mudanças, transformações aparentes, mas não reais. O sonho segue desabrochando, encontrou nova lufada de ânimo em 2005. No ano passado, paramos pra respirar antes de mergulhar... agora já estamos embaixo d'água a procura de novos tesouros.
E seguimos sem medo de arriscar... já diria o glorioso Chewie, irmão e camarada de Bigode: "A vida é como um eterno pulo de pára-quedas".
Pra inspirar, segue o poema "A Pedra Filosofal", do genial português António Gedeão.
Abraços e feliz 2006 a todos!
Marcão
"Se a vida segue/ o sonho se persegue."
------
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
- António Gedeão, in "Movimento Perpétuo", 1956
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Sistema decimal
---
Da Wikipedia
"O sistema decimal é um sistema de numeração posicional que se utiliza de 10 símbolos para representar grandezas (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 9), e por isto é chamado sistema base 10.
Alguns historiadores supõem que o sistema foi adotado pelo homem primitivo por compatibilidade com o número de dedos das mãos, artifício usado no princípio para contar as coisas do mundo, como seus bens, rebanho e dinheiro.
O sistema base 10 competiu, para se tornar o sistema padrão, durante uma fase longa da história da humanidade com o sistema de numeração base 60, cujos resquícios ainda são vistos no sistema de divisão do tempo, 1 minuto de sessenta segundos e 1 hora de sessenta minutos, e na trigonometria, onde o círculo é dividido em 360 graus (6x60).
O sistema baseado em 60 é interessante porque 60 é divisível por 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20 e 30, enquanto que 10 é divisível somente por 2 e 5. O maior número de divisores torna o sistema em base 60 muito mais prático para a divisão de grandezas (pesos, medidas, etc)."
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Parece pouco encher as mãos, mas não é! Mas logo logo estamos mudando de sistema, se o hexadecimal é melhor como dizem, só nos resta esperar até os primeiros 60!
Mas por enquanto vamos usando os dedinhos dos pés, amando com calma...
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Concretude
da nuvem fez-se chuva.
Dos sonhos fez-se o tédio
que no ar se dissipou.
Dos corpos, fez-se turba
e do tempo, o intermédio
que o vento já levou.
Marcus 21.12.05
terça-feira, dezembro 20, 2005
Hora da verdade
Duas citações pra ver se vai:
"As folhas mortas se recolhem com uma pá,
as lembranças e os pesares tambem..."
- Jacques Prevert
"Ei, ei, vamo acordar, vamo acordar!
Porque o sol não espera, demorou, vamo acordar!
O tempo não cansa!
Ontem à noite você pediu, você pediu...
uma oportunidade, mais uma chance
e como Deus é bom, não é não, nego?
Olha aí, mais um dia, todo seu...
que céu azul louco, hein?
Vamo acordar, vamo acordar...
Agora vem com a sua cara, sou mais você nessa guerra
A preguiça é inimiga da vitória,
o fraco não tem espaço
e o covarde morre sem tentar...
Não vou te enganar:
o bagulho tá doido, ninguém confia em ninguém, nem em você,
e os inimigos vêm de graça.
É a selva de pedra, ela esmaga os humildes demais.
Você é do tamanho do seu sonho.
Faz o certo, faz a sua, vamo acordar, vamo acordar...
cabeça erguida, olhar sincero
Tá com medo de quê? Nunca foi fácil...
Junta seus pedaços e desce pra arena
mas lembre-se, aconteça o que aconteça,
nada como um dia após o outro dia"
-Mano Brown, "Sou Mais Você"
Paródia
Se além de imorais fossem um montão/ Não seria o de Moraes, mas o Marcão!
Saudade
verde relva em que me deito
Azul do lençol o leito
Em que me encho de vinho tinto.
Cinza o dia em que choro
Pardos eu e o papel
Anil já passou no céu
Alva a mão ao qual imploro.
Rosa a flor que um dia eu vi
Cega ao amor nossa lei
D'ouro o dia em que te achei
negro o dia em que perdi.
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Marcus 02.04.99
Emboscada
lancei luz nos vãos escuros
livrei-me dos vãos e impuros
perpassei o meu lamento
E em seus trechos mais duros
não escondi o meu tormento.
Deitei voz à liberdade
voz que até hoje aumento
Não a vi por vaidade.
E, foi assim que, eu juro,
por via do sofrimento
tornei-me prioridade.
---
Marcus escrito em 21.12.04
sexta-feira, dezembro 16, 2005
O triunfo da racionalidade
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Anger management
Pelo menos não vou me incomodar mais com rusguinhas inúteis, como as das facções de RI. Eu cansei dessa briguinha, se um fulaninho manda mensagem obviamente ofensiva (embora eu não saiba a quem exatamente, mesmo tendo bons palpites), não vou me indignar com a hipocrisia que paira sobre todos, principalmente nos falsos moralistas com cara de santo.
Minha tática agora é a do amor. Amo a Beta, minha família, meus amigos. Gosto dos inimigos também, e enquanto meu anger management funcionar, darei a outra face.
quarta-feira, novembro 30, 2005
De quem está quase ficando mais velho
---
Soneto de Aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
--Vinicius de Moraes, in "Antologia Poética", 1954.
Síndrome de Keyser Soze
Como diria Verbal Kint: "Como se atira no diabo pelas costas? E se eu errar"?
O maior truque do diabo foi mesmo convencer o mundo de que ele não existia... e aí, puff!, ele se foi.
Pandora
e agora os forço de volta pra caixa
encaixo-os de volta com força
mas tristonho me queixo
pois sei que alguns hão de se transformar.
Inferno astral
Falando em presentes, já sei de um que quero... o título do Brasileiro pro Coringão no domingo! E com mais de quatro pontos de diferença pros secadores e invejosos de plantão nem terem o que falar!
É meu mês, então nem me contrariem!
sábado, outubro 15, 2005
Horário de verão
Desafiando a mágica do tempo
É a mágica do tempo, quanto mais livre ele está, mais se ocupa.
Esta semana que se encerra foi para mim um sinal de alerta. Plano de estudos na mão, 40 horas semanais (como se fosse um trabalho) de livros e redações, tudo bonitinho. Mas ficou no papel: ocupei-me com traduções, aulas particulares, provas na faculdade, compromissos imprevistos, palestras. Livro e estudo que é bom (o que move o mundo por esses dias até o ano que vem), muito pouco mesmo.
Enquanto o universo trabalha o grande equilíbrio químico do mundo para que o tempo que sobrou de repente volte a faltar, temos boas notícias na área. Chegou a papelada do CNPq, só assinar e mandar de volta pra BSB. E esperar para que a grana não atrase de novo. Porque, em termos de falta de tempo para essas obrigações, esses caras são mestres. Esticam o tempo deles e encolhem o dos outros.
Bom, mas por enquanto resta eu retomar meu estudo e lutar contra isso aí. Tentar, talvez, fazer com que não se transformem nas minhas antigas promessas de bêbado: semana que vem vou parar.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Surto feliz
feliz por razão nenhuma
e eu ria sozinho no meio
da noite de bruma.
sexta-feira, setembro 16, 2005
O vórtex
Resta saber se, quando eu sair daqui(s), a vida lá fora será a mesma.
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E o poeta/capitão-do-mato disse no loudspeaker: "Ponha um pouco de amor na sua vida". Pra não sofrer, até mudei pro Pixinguinha, que fala menos e chora mais com seus sopros.
Mas sei que ele está certo. Acho que é isso que está faltando.
Ausência
Eta vida maluca... cuidado, companheiro! A vida é a arte do encontro... sem lugar para as ausências, ou para os desencontros da vida.
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Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
- Vinicius de Moraes, in "Forma e Exegese", 1935.
domingo, setembro 11, 2005
9/11
Fazer guerras (e matar pessoas que não têm nada a ver) e explodir bombas e aviões (e matar pessoas que não têm nada a ver) são ambos uma grosseira patifaria. Eu tive um amigo que era pra estar lá na hora do atentado e escapou porque se atrasou para o trabalho. Passei uns dois dias meio atarantado tentando falar com todos meus amigos e familiares que estão por lá. Lembrei da placidez da foz do Hudson contra o sol da manhã, os barquinhos indo e voltando, e pensei que podíamos ter sido eu e meu pai a morrer lá, nós que estivemos lá quatro anos antes.
Cheguei à conclusão de que ladrão que rouba ladrão não merece nem um minuto de perdão.
quinta-feira, agosto 18, 2005
Romântico
às quatro da tarde
e o dia não me acordou do meu sonho.
Às onze da noite te vi em estrelas.
Apropriação
teus erros agora meus são
fiz da antecipação a virtude
da pressa a razão
pela vantagem de ser o primeiro...
tornei-me o último
e caí no poço das glórias inúteis,
opacas
todas cheias de meias vontades,
vazias
mostrei a mim só atitudes,
que, fracas,
machucam o peito que não
doía.
Tua jóia, que o ladrão roubou...,
era só bijouteria.
Marcus 20/06/03
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outros tempos, outros tempos... do fundo do baú no computador
terça-feira, agosto 09, 2005
Só (frustração em uma letra de música)
e olha só, eu corri
eu só queria chegar
mas não cheguei, só morri
fiquei com a frustração
pois era tarde demais
ter que guardar emoção
e só mostrar "logo mais"
pensei lá no que fazer
e eu me desesperei
eu só eu queria te ver
mas de raiva eu chorei
só raiva desse trabalho
que faz com qu'eu me arrependa
no frio eu me agasalho
pensando na tua renda
nunca passei sem te ver
três dias nesta cidade
estou a me desfazer
só de amor e saudade
fico pensando em você
lá na garganta um nó
eu que não sei mais viver
como vivi sempre, só.
sexta-feira, julho 29, 2005
Esvaziamento da alma
o líquido circular
o som pontuado
a mente leve, leve
e os pés pro ar.
o clima é gostoso
é noite
há jazz
e cerveja pra acompanhar.
Marcus 29/07/05
O Corinthians merece um post
Um absurdo os corintianos: o jogo contra o Coritiba será só na semana que vem e os ingressos já estão acabando. Final da Libertadores? Não... só amor. Coisa linda. Como disse o Carlos Alberto (que Deus quer que se recupere), quando questionado por um jornalista português, sobre por que deixaria o então campeão "mundial" Porto para vir jogar no Foguetimão:
"Por que ir para um time do Brasil chamado Corinthians? Saiba que só a torcida deles é maior que a população desse país aqui". É, amigo, somos uma nação de 25 milhões de pessoas. Maior que Chile, Bolívia ou Venezuela. O Bush deveria estar preocupado tb com os caudilhos ditadores e terroristas internacionais que ocupam hoje, como se dizia em outros tempos, o terceiro maior cargo do Brasil (depois, é claro, do presidente do BR e do governador de SP).
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E o segundo Mundial de Clubes já pode ter uma semifinal interessante, entre os brasileiros do São Paulo e os marfinenses do Mimosa. Resta saber se bambis e mimosos vão conseguir jogar sem se confundir.
Soneto da falta de tempo e de você
um soneto sobre esse meu trabalho.
Como lá eu falo, falho, ralo e ralho
para ser o que não queria ser.
Se pensasse então em dar-lhe parecer
diria: com ele à casa do caralho.
Pois as horas nele vazam por um talho
que por vezes segue até amanhecer.
E em todas as noites de pescoção
e em cada dia meu de jornalista
penso só em aonde é que as tardes vão,
onde a lua esconde a tua pista.
Nos momentos ao teu lado que não são
e em ti, tu que não estás aqui em vista.
Marcus 29/07/05
sexta-feira, julho 15, 2005
Um sorriso
Apreciemos mais este presente.
Percurso em curva
Mas ando suspeitando novamente que não sou bem o senhor do meu destino, que não controlo como quero as mudanças que planejo para minha vida, que corro para a frente e, depois de muito tempo, percebo que o percurso era em curva... e veja só: cá estamos de volta.
Tá bom, tá bom, a vida anda boa, tou reclamando de graça, o que é normal no ser humano, mas em mim não é tanto. Sigo otimista, é mal hereditário. Claro que sei que tudo vai dar certo, que a volta é só um pouco mais longa para escapar do círculo vicioso. Que a vida anda bem, família, saúde, amor. Algumas amizades andam capengando, outras já se foram, mas é a vida. Ando triste por isso também, se bem que acho que me frustra mais ver que estou profissionalmente no mesmo lugar onde estava dois anos atrás.
Parece um desfecho sinistro de filme de Hitchcock, daqueles que revelam o que você suspeitava, mas não queria que fosse mostrado e, ainda assim, quando viu, ficou surpreso. Ou, bem pior, algum dos episódios bons do Além da Imaginação, que me faziam cagar de medo quando eu era mais novo.
Isso me lembra quando eu era moleque e fui para a Disney. No parque do MGM Studios tem o brinquedo do Além da Imaginação, o famoso elevador que despenca (modelo para os Turbo Drops e Torre Eiffels despencantes da vida). Depois de dar uma volta por lugarzinhos bem sinistros, o elevador entra num corredor, que termina numa porta, e começa o famoso discurso de todo começo de episódio (eu sabia isso de cor quando tinha uns 13 anos):
"There is a fifth dimension beyond that which is known to man.
It is a dimension as vast as space and as timeless as infinity.
It is the middle ground between light and shadow.
Between science and superstition.
And it lies between the pit of man's fears and the summit of his knowledge.
This is the dimension of imagination.
You are entering the twilight zone."
Claro que você fica curioso, quer saber o que é que a imaginação pode revelar de novo. Uma porta se abre e o elevador entra. Lá dentro está tão escuro que você não consegue olhar nem seu próprio braço. Aí o narrador volta e fala:
"You are about to discover what lies beyond the fifth dimension.
Beyond the deepest, darkest corner of imagination."
De repente as luzes se acendem, e você percebe que a única coisa que a imaginação te revelou é o medo que você sente. Afinal, você já sabia que a queda viria (é o grande atrativo dessa "ride"), mais cedo ou mais tarde.
Você se encontra de frente para uma parede, e eles ainda te dão um segundo para você saborear o pânico antes de mergulhar no terror.
sexta-feira, julho 08, 2005
Merda
Só mais um dele
Aforismo 275
"Quem não quer ver o que há de elevado num homem, olha tanto mais agudamente para o que nele é baixo e superficial --e, com isso, se revela."
Puras frustrações
Quando eu era menor, tinha medo de fazer viagens longas porque temia que, quando eu voltasse, tudo estivesse diferente e, pior, sem lugar pra mim. É verdade que tudo é relativo: para quem fica, é como se nada mudasse, de tão gradual que isso acontece, embora, no final, tudo mude horrores; para quem vai, ir é sempre um dilema quando a vida está boa, e uma necessidade quando está ruim.
Que ninguém se engane, portanto, com relação às mudanças que a distância opera (ainda mais quando ela se alia ao tempo): elas são muitas.
Ainda assim, há pessoas, como eu, que possuem uma fome absurda de viajar, uma curiosidade com relação a tanto mundo que há por aí, que não se importam com a maior parte das mudanças para pior. Afinal, a vida é só uma, uma grande viagem, e a nostalgia, ainda que faça bem para a lembrança, costuma fazer mal para o futuro. Cada coisa a seu tempo, cada fase na sua hora. Porque sempre que a gente diz "está tão bom que não pode mudar", segundo a Lei de Murphy, vem a hora exata em que a coisa muda. Viver na felicidade implica estarmos sempre abertos a mudanças e vivermos cada fase na vida como única. Embora, é claro, certas coisas a gente queira para sempre (os grandes amores!)
Bem, sei que estou divagando demais hoje, na verdade só queria falar que é absurdo o número de amigos meus que se encontram na Europa, fiz uma contabilidade rápida pelo Orkut e pela memória. Há onze amigos meus morando em Paris (mais dois na França); cinco em Londres (mais dois na Inglaterra); na Espanha, quatro em Barcelona, dois em Madri; três na Itália; dois em Portugal; dois em Berlim, e mais seis espalhados pela Alemanha; um na Bégica, um na Dinamarca, um na Holanda, um na Suécia. Enfim, devo ter esquecido de algum, mas contei nada menos que 43 amigos morando só na Europa, isso sem contar as Austrálias e "Americas".
É bem como eu falo quando bate a tristeza, "só eu fico aqui". Mas, também, quando for, já vi que tenho muito lugar pra ficar.
terça-feira, julho 05, 2005
Dois aforismos de Nietzsche
À parte todos os desvios posteriores que fizeram de seus pensamentos, e tirando o fato de que, para mim, ele foi um machista doente (mas eram outros tempos), Nietzsche sempre foi contra o nacionalismo e chegou a ridicularizar os alemães como homens "que introduziram no lugar da cultura a loucura política e nacional (...) e que só sabem obedecer pesadamente, disciplnados como uma cifra oculta em um número", bem como romper com Wagner por causa da questão do anti-semitismo. Então nem me venham falar que ele era precursor do nazismo. Prefiro pensar nele como crítico da moral cristã, um perspectivista, um precursor do existencialismo e da psicanálise e, acima de tudo, um filósofo bem-humorado.
Bom, posto isso, aí vão os dois pensamentos. Gosto de citar, afinal citar é simplesmente colocar a nosso dispor o que séculos de sabedoria e de homens brilhantes puderam compilar. Um acerca da relatividade da questão da falsidade (aforismo 4, o primeiro que fala em "além do bem e do mal" -> o outro é o 153, que diz que "o que se faz por amor sempre acontece além do bem e do mal"-- pronto, já citei outro) e outro sobre a questão do impulso (Trieb, aforismo 158), que eu relaciono muito com uma coisa que sempre segui e na qual ando pensando bastante: hedoné, grego para "prazer", e sua busca incessante, o hedonismo. As observações entre colchetes são minhas.
Aforismo 4
"A falsidade de um juízo não chega a constituir, para nós, uma objeção contra ele; é talvez nesse ponto que a nossa nova linguagem soa mais estranha. A questão é em que medida ele promove ou conserva a vida, conserva ou até mesmo cultiva a espécie [como isso lembra o Peter Singer!] ; e a nossa inclinação básica é afirmar que os juízos mais falsos (entre os quais os juízos sintéticos a priori) nos são os mais indispensáveis, que, sem permitir a vigência de ficções lógicas, sem medir a realidade com o mundo puramente inventado do absoluto, do igual a si mesmo, o homem não poderia viver --que renunciar aos juízos falsos equivale a renunciar à vida, negar a vida. Reconhecer a inverdade como condição de vida; isto significa, sem dúvida, enfrentar de maneira perigosa os habituais sentimentos de valor; e uma filosofia que se atreve a fazê-lo se coloca, apenas por isso, além do bem e do mal."
Aforismo 158
"Ao nosso impulso mais forte, o tirano em nós, submete-se não apenas nossa razão, mas também nossa consciência."
domingo, julho 03, 2005
Sobre o caso Projetagate
Que venha abaixo o vitimismo. Afinal, as únicas possíveis vítimas do ímpeto irrefreável de acusar e do dedo que não hesita antes de ficar irremediavelmente apontado são as amizades, que definham.
Pássaro de cativeiro
Sempre houve, basicamente, dois tipos de pássaros no mundo: os livres por natureza e os de cativeiro.
Contrariando o entendimento geral que diz que todos os animais são por natureza livres, alguns desses bichos mostram sim uma intensa vontade de assentamento, que acaba por se materializar no cativeiro. Afinal, a mesma gaiola que limita e prende é a que dá chamego, proteção e a garantia de sobrevivência e de alimento. E tudo em troca de um assobio aqui, uma exibiçãozinha de beleza ali.
Não se trata tampouco de uma questão de nascimento ou costume. Há muitos pássaros que nasceram no cativeiro e, mesmo nunca tendo conhecido outra coisa, são infelizes. Outros que tiveram o sereno e o vento fresco como companheiros de uma vida toda e, tarde, descobrem que queriam é ter ficado presos. Outros que são felizes como sempre foram.
No mundo real, tudo pode ser mais divertido, mais sortido, mais colorido, mas também é mais difícil e mais angustiante. É claro que as cores, as formas e os ares são sempre mais variados e, possivelmente, mais contagiantes. Mas os predadores estão sempre por aí --é a lei da natureza--, e nunca se sabe quando uma armadilha qualquer acaba com a sua vida. E as noites sem alimento, que também matam, são uma possibilidade real. No mundo há tantos ares diferentes quanto donos de gaiola à procura de passarinhos para o embelezamento de suas tardes. Trata-se, portanto, de uma escolha.
E esse passarinho, que nascera livre, tinha decidido desde que se vira consciente: queria a todo custo uma gaiola.
Que não se pense que é simples achar uma, há muitas que se confundem com armadilhas. Outras são tão precárias ou tão frágeis que não vale a pena deixar-se prender. Nessa procura intensa ficou o passarinho, sem dar muita bola para as conquistas da liberdade que tinha, das cores, dos sons, dos ares. Bobagens para os sentidos. O que interessava para ele era ter um lugar para chamar de seu.
Depois de muita procura, eis que ele a achou. Era bonita, bem vistosa, o Trill que o dono colocava para comer era excelente, daqueles que dá vontade de comentar com os amigos. Ah, amigos o passarinho tinha de monte. Se, de início, todos os momentos da vida do animal eram passadas na gaiola, no fim, por causa deles, o passarinho começou a fugir dali às vezes, o que deixou o dono preocupado. Mas não se preocupe, dizia o penoso para ele, pois aqui é meu lugar e para cá sempre voltarei...
Nas revoadas com os amigos, o passarinho começou, enfim, a ter gosto pela liberdade. O sol era bonito; a lua, encantadora. O néctar de diferentes flores, o sabor da carne de pequenos animais, o ar fresco na cara. Mas se mantinha fiel a seu dono e a sua gaiola, ao velho e bom Trill e à cantoria para seu dono --e era para lá que ele voltava todas as noites.
As escapadas noturnas do passarinho para ver os amigos, no entanto, tiraram a tranqüilidade por completo do coração do dono. Ele então começou a tratar o passarinho mal, a criar outros passarinhos de forma mais carinhosa e a descuidar da manutenção de sua gaiola. Depois de muito resistir, sofrendo calado, resolveu fugir de lá em definitivo. O dono, percebendo o erro em que incorrera, chamou-o de volta. Em vão. Pois, afinal, não era pela mudança de comportamento do humano que ele deixou sua vida confortável. Não. Era porque tinha finalmente tomado gosto pela liberdade, e quanto.
Ganhando os ares, foi impulsionado pelos sete ventos, entrou em inúmeros buracos nas árvores, viu o azul do lago, o amarelo do ipê, o verde do campo. Comeu frutas, que eram um verdadeiro banquete, vermes, que não eram de todo maus, e o lixo dos humanos, meio insalubre. Dormia em buracos, sob a copa das árvores ou ao ar livre. Aprendera também a desviar dos gaviões mais óbvios e violentos, bem como de diversos predadores da terra. Não se importava, no entanto. O perigo é o preço da escolha.
No mundo há muitos lugares diferentes, e o engraçado é que os pássaros reagem a esses lugares de maneira diferente também. Nenhuma clareira é igual à outra, nenhum penhasco é visto do mesmo jeito que o precipício anterior. Pode às vezes ser parecido, mas o pensamento do passarinho ao apreciar aquele lugar diferente é sempre diferente, às vezes até ao apreciar o mesmo lugar duas vezes, aquela história do Heráclito.
Mesmo com a multiplicidade de lugares, a liberdade não é soberana, sofre perigos, ameaças. As mais contundentes são as impostas por lugares bonitos demais. Muitas vezes, um passarinho se apaixona seja por sua beleza, por seu aconchego, pela sua tranqüilidade ou até por seu agitamento.
E se passaram inúmeros dias, melhor, vários anos, para que isso acontecesse com o passarinho. Mas, de alguma maneira, ocorreu e a tal liberdade virou novamente vítima. E, mesmo sabendo do perigo que era se ater a um só lugar novamente, resolveu ficar, desta vez menos pelo sentimento geral de segurança e mais pela beleza específica que via no lugar e pela conseqüente paixão irrefreável que via nascer dentro de si.
Mas o lugar pelo qual o passarinho se apaixonou até o fim da vida era realmente muito estranho: um labirinto. E, embora não se cansasse de conhecer o labirinto, a cada dia uma novidade (era quase como a liberdade confinada), isso começou a incomodá-lo. O desconhecimento é uma fonte para muita insegurança, ainda mais quando o destino de sua vida é depositado em um lugar específico. Mas o labirinto era grande demais, ele não apressaria esse conhecimento nem que quisesse.
E, mesmo tomando sustos --às vezes desagradáveis-- atrás das paredes e esquinas do labirinto, o passarinho ali seguiu pelo resto de seus dias. Abraçou a insegurança cativante e fez dela uma companheira inseparável por toda a vida. Perdeu-se inúmeras vezes, afinal, assim são construídos os labirintos. Não que sejam intrinsecamente maus ou bons: simplesmente a magnitude e a complexidade são parte integrante de sua beleza, fazem parte de sua natureza --assim como o passarinho já tinha querido a gaiola e lá sido feliz. Bem, ele passou o resto da vida no labirinto, e acabou por perceber que todo seu quinhão de vida era muito pequeno para conhecer por inteiro aquele lugar.
Assim, seu último pensamento, velho e moribundo, evidenciou uma dúvida: não se lembrava de como tinha entrado ali pela primeira vez, nem muito menos de onde era a saída. Na verdade nunca a havia procurado, portanto não sabia se teria podido encontrá-la. Mesmo que fundamentalmente seu ingresso tenha sido uma escolha consciente, sua eventual saída não; até o fim, ele permaneceu ignorante sobre se tinha vivido até a morte como um livre apreciador do desconhecido aprisionante ou o como prisioneiro desconhecido de uma apreciada liberdade.
Mas não fazia diferença, porque o mais importante ele tinha conseguido. Morreu feliz.
Conto escrito em 13/04/05
quarta-feira, junho 15, 2005
Perdidos e achados
Bem, quase. As coisas não são bem as mesmas. Eu poderia ficar aqui citando Heráclito de Éfeso e seu fluido fluvial, ou contestá-lo dizendo que o rio só é rio porque se renova, o fato de as águas serem diferentes não impede que o rio seja o mesmo.
Mas não vou fazê-lo. A verdade, dita sem ter de pensar muito, é que só sei que nada sei, mas sei que o nada de agora é mais que o nada de antes (talvez não para Sócrates), ou seja, sei que sei mais do que sabia, ainda que não possa me julgar sábio.
Já aprendi muita coisa e, embora não goste de ficar empacado até conseguir um objetivo (a rapidez na resolução de problemas é fundamental num sagitário --livre, social, mutante-- com ascendente em touro --teimoso, obstinado), acho que um ano a mais pode me fazer aprender muito. Não estou acostumado, sagitário que sou, a levar portas na cara. Mas como um touro posso derrubá-las.
Na verdade o ciclo era espiral e estou no mesmo lugar da volta, mas um nível acima. E, desta vez, com as mesmas vantagens financeiras (a bolsa) e novas intelectuais, pode ser mais fácil.
Ehrlich gesagt, tenho fé nisso.
Caráleo, cadê meu travesseiro?
O travesseiro
escuridão que me abala
escuridão que me fala
que o escuro quer me inalar
e, assim absorvido,
quer me fazer esquecido
um poema proferido
no penumbral silêncio.
Ante o escuro matreiro
o meu recuo primeiro
é vir curar-me inteiro
aqui com meu travesseiro
pois se a derrota é o tema
da turbidez do poema
supero esse problema
e logo o escuro eu venço.
Marcus 15/06/05
sexta-feira, junho 03, 2005
Pensamento sobre o equilíbrio
A velocidade constante (não importa se são violentas ou só lentas) de reações inversas é o que mantém constante a quantidade das substâncias e --por quê não-- o equilíbrio da matéria no universo. Por isso, de modo algum podemos imaginar que a inércia é a realidade dominante. E, se as coisas mudam, nunca são o produto de uma mente só, e sim de pelo menos duas. Portanto, também os reclamantes e insatisfeitos em geral serão sempre culpados. Afinal (adentrando um pouco a física), toda ação deveria desencadear uma reação.
Um simples exercício de química
e me canso
fico tenso
acho o balanço
logo venço
e fico manso
pois convenço
e então danço
tão intenso
e sem ranço
como um lenço
no remanso
do mar de equações
Marcus 03/06/05
Magnética
sob a luz da manhã, percebi
qu'eu não era mais capaz
de tirar minhas mãos de ti.
Marcus 03/06/05
Urgência
Em breve me junto a vocês para ficar, seja na angústia da tragédia ou no júbilo do êxito. Por mais estranho ou convencional que possa parecer, a minha fé na matéria reside em Deus. Veremos o que Ele quer.
Sei que é patifaria jogar a responsabilidade pra cima. Mas não consigo ser de outro jeito.
Boa noite!
quinta-feira, maio 05, 2005
Estresse na boa fase
Por quê --diriam vocês--. se o meu momento sentimental é sabidamente sublime, perfeito, flawless? Bem, cada dia que passa antes do dia 10, o dia do resultado da primeira fase do Rio Branco, traz mais dessa coisa horrorosa que é a tensão. E a fase é só a primeira, se eu passar ainda tenho mais dois picos desse sentimento nesse semestre. Outras duas fases. As chances estão aí, não são mais que razoáveis; não ouso jogar com elas como faço de costume, muita coisa depende disso, na verdade apenas meu futuro neste 2005 até então maravilhoso. Deus, faze com que minha boa fase não pare de se revelar pra mim. Por favor. Como no futebol, o bom momento sempre há de trazer novas vitórias. Está tudo perfeito. Não é hora de parar. Ainda não.
Bom, se parar também não vamos desistir. Nunca fui disso. Derrotas são só derrotas. Pra alguém ganhar alguém sempre perde, como bem me lembrou a benevolência corintiana na terra dos manezinhos nesta noite. Mas isso é outra história. A má fase é a deles. A minha é boa, e vai continuar assim.
segunda-feira, abril 11, 2005
O meio segundo - 3
E deixara tudo isso pra ficar com ela, gostava tanto dela. Passava todas as horas que conseguia com ela e achava que a conhecia, sim, ele a conhecia a fundo, sabia quando ela estava feliz e quando ela estava triste. Tinha devoção completa por ela, a amava e dizia isso para ela 60 vezes por hora. E naquela manhã, quando ela foi se despedir dele para ir visitar os pais, sabia que algo estava estranho. Estranho não, errado. Aquele olhar se perdeu nele para produzir um sorriso amarelo. E sim, o problema era com ele. Melhor, devia ser ele. Tanta devoção, tantos presentinhos, tanta putaria deixada de lado... e engraçado que até aquela manhã ele nunca havia desconfiado dela, nunca, nem por um meio segundo. E agora só ficava imaginando se ela realmente teria ido visitar os pais, se ela não estaria rebolando em cima de algum outro cara, gemendo para outro cara. De repente ficou inseguro, tão inseguro que não conseguia se agüentar, que nem a cerveja conseguia agüentar. Vadia!
Resignado entre chorar e seguir bebendo, resolveu ficar com a Bohemia. A mesinha já impressionava, as onze garrafas de cerveja (para as quais os velhinhos que adentravam arregalavam os olhos) pareciam demais até para ele, um bebedor experiente. Sabia que não devia ter começado a beber, que quando não se está bem da cabeça sempre se bebe demais, o que no caso dele era pior, pois sempre fazia merda quando estava bêbado. De fato, as grandes merdas que fez na vida foram merdas de bêbado. Perdeu um pouco o raciocínio, pescou duas conversas das mesas vizinhas. Coincidentemente, eram sobre os dois assuntos da banca de jornal, o jogo de futebol em que ia jogar um Leão e o tal serial killer de nome engraçado, o leão, não, o playboy da cerveja, não, da morte. Playboy da cerveja era ele, completamente bêbado à 1 da tarde.
Resolveu que, estando no inferno, abraçaria o capeta. Se tinha começado a fazer merda, já não tinha motivo para terminar. Pediu a conta e tentou pagar, o dinheiro não dava, passou três cheques até acertar o valor que, bem depois, acharia absurdamente alto. Levantou, sem antes deixar de esbarrar na mesa do lado, foi cambaleando até o banheiro, mijou com a cabeça encostada na parede. Saiu então do boteco e ganhou a rua.
Era bom que a avenida Angélica fosse uma ladeira, afinal, para baixo, todo santo ajuda. Desceu três quadras e atravessou a rua na altura da avenida Higienópolis. Esquivava com manobras incríveis das madames que, ainda com seus cãezinhos, agora se apressavam para bater pernas no shopping, desdenhar das jóias das amigas, ouvir as últimas fofocas tomando cafezinho colombiano por 5 reais a xícara. Foi na direção contrária, andou até esquecer onde ia, chegou no muro do Mackenzie, lembrou, virou à esquerda novamente. Desceu a rua e logo estava no Largo do Arouche.
Ele tanto ficou pensando em putaria que resolvera realizar um de seus sonhos frustrados de infância: entrar num cinema pornô. Já fora a puteiros de todos os tipos, teatros duvidosos, casas de massagem, bares de strip-tease, mas nunca havia entrado num cinema desses. Tinha curiosidade de ver como era um negócio desses por dentro, ver se os bancos eram manchados mesmo, se os caras tiravam o pau para fora descontraidamente ou se escolhiam cantinhos escuros para se satisfazer.
(Continua em uma semana)
A sabedoria do bigode
"Vagabundo não se aposenta, tira férias"
"Laranja madura quer é tomar varada"
"Uma vez Flamengo, sempre Flamengo"
"Não pergunto a cor da vaca, bebo o leite"
"Só é corno quem é curioso"
"Mulher que não dá, voa"
"A Fábrica de Alcoólatras? Deve estar voando por aí", sempre às gargalhadas
"Não confio em quem não bebe, se não bebe, deve ter algo a esconder"
"Não confio em quem não bebe, se não bebe, deve ter muito tempo livre"
"Bebo porque sou egocêntrico: adoro ver o mundo girando em torno de mim"
[E pra lembrar o Lolão]: "Gostosa é a comida da minha mãe. Essa aí é uma puta de uma gostosa"
Me vem uma imagem na cabeça... 5 da tarde, sol caindo atrás do estacionamento do Tru, bigodeiros de responsa (Pop, Pé-de-Pano, Lolo, Seu Creysson, Miojo, Escobar, eu, além dos agregados) vendo displicentemente as horas passarem no relógio da Waldemar Ferreira ao som de "Ao Hímen Elástico!"... e, por volta da meia-noite, muitos X-Trambs, Jurubebas e Químicas-Mi e bombas do metrô depois, fatalmente indo para casa "empacotados"... e o Pop dizendo "nem esquenta, eu fou a pé".
sábado, abril 09, 2005
Sete dias
À segunda, confiança emana,
ela é como era antes,
tão serena e destemida.
Sem dar bola para o atraso,
entro, criança, n"A" semana,
os sete dias mais importantes
deste meu projeto de vida.
Marcus 09/04/05
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Serão mesmo? Não sei, mas se deixarem, FODEU!... hahaha... É NÓIS NO ITAMARATY!!
Watch out there... up the slope we go!
Eu, vulnerável
negrume que em mim debruça
um breu quente sem luar.
A treva me diafana,
minha alma é a que soluça
do outro lado da cidade.
Por mais que seja cedo,
eu abraço a solidão,
angústia que é a tal saudade.
Pois eu nunca tive medo.
Tateio na escuridão
certo de te encontrar.
Marcus 09/04/05
Sly angel
I suddenly fell in slumber.
You, my angel, slammed into my
sleep --and made me number.
It'll make me live in tender slavery,
I now realize I had been slain.
Slashing open my warm chest,
a hidden trick was up your sleeve,
a smack that slaughters with no pain.
It may slice off my poor heart, if it must...
Your sly enchantment has me
up the slant, beyond of trust.
Marcus 09/04/05
segunda-feira, abril 04, 2005
O papa brasileiro
É fato que minha fé nos sacramentos da igreja não é muita, prefiro uma relação mais direta com Deus. De qualquer forma, não importam muito agora seus erros e os da igreja que comandou por 26 anos. JP II foi um homem de muitas qualidades. Mesmo conservador, se levantou contra a guerra em todas as oportunidades que teve. Mesmo condenando o divórcio, o aborto e tomando muitas medidas impopulares, correu mundo para popularizar ainda mais a sua fé, e conseguiu terminar sua vida com bem poucos inimigos.
Mas a maior qualidade de Karol Wojtyla para mim é uma coisa bem besta, na verdade. Orgulha-me muito o fato de que o papa falava português, e com sotaque brasileiro. Deve ser algo muito difícil para um polonês. E ele veio diversas vezes aqui. Claro que não iria se esquecer da maior nação católica do mundo, mas que isso deixa feliz meu lado ufanista (que não é pequeno), ah, deixa sim.
Um adeus bem brasileiro para o único papa que conheci. Deus o tenha.
domingo, abril 03, 2005
O meio segundo - 2
Veio-lhe de repente uma vontade de beber. Odiava sentir-se inseguro, ser o objeto de olhares ou sorrisos estranhos de pessoas de que gostava muito e que suspeitava quererem dizer que o fim estava próximo. Tinha horror a outros sinais de igual teor: silêncios adicionais no telefone, risadas amarelas e inexplicáveis e caras de paisagem. O pior não é saber que alguém não gosta de você, o pior é não saber que alguém não gosta de você. Se você enche o saco dos outros ou se agrada seu viver. Maldita necessidade de aceitação.
Resolveu se vestir e sair para um rolezinho na rua, quem sabe atrás de uma cerveja, já era meio-dia. Já havia três meses que ele dividia o apartamento com a mulher, uma corretora de imóveis de vinte e seis anos, mais um produto tenro da classe média alta paulistana. O apê era dele, alugado, e ele todo dia se perguntava por que alguém que mexe com imóveis e tem dinheiro não tinha uma casa própria, por que é que eles não compravam o apê deles, ele também era arquiteto e tinha grana sobrando. Talvez ela imaginasse que aquele caso teria vida curta. Talvez ele já fosse história.
Atormentado no sábado de sol lindo da praça Buenos Aires, ele pacificamente caminhava em meio às madames com seus cãezinhos frufru, aqueles bem típicos de madame, poodles com lacinhos, lhasas apso, yorkshires. O cigarro está na boca quando ele passa pela banca de jornal, onde senhores de sessenta anos disputavam espaço pelas notícias esportivas. Ao que parece, o Corinthians enfrentaria o São Paulo naquele dia. Argh, futebol é ridículo. Não compreendia a transferência emocional que toda aquela gente operava em favor de onze homens defendendo tais ou tais cores, sem ligação direta alguma. O Rogério Ceni nem sabia quem eles eram, e estavam ali, falando dele como se o conhecessem de velhos tempos, como se fosse algum amigo perdido de outra encarnação. Era um masoquista clássico, preferia a vida real do sofrimento à vida fantasiosa do êxtase. O que a vida real podia lhe dar era muito mais realizador (desculpado o trocadilho) que os sonhos que poderia sonhar.
Assim, preferia as páginas policiais, também uma moda entre os jornaleiros, ainda mais com os novos serial killers da paulicéia e o vigor jornalístico, beirando o ensaio, com que as publicações mais populares os retratavam. E os nomes hilários. O da vez era um tal de "playboy da morte", um sinistro rapaz que ganhava a confiança de meninas ricas por meses e depois as embebedava em casa, na volta de alguma balada, e as matava com cacos de garrafas usadas. Depois, o doente fazia sexo com os cadáveres cheios de cortes e jogava litros de cerveja por cima das vítimas. Também era o queridinho de cidades alertas e brasis urgentes. Cerveja! Estava precisando de uma mesmo.
Chegou a um pequeno café numa ruazinha de Higienópolis e pediu a cerveja. A Bohemia descia como em poucas vezes. Longa tarde seria essa.
(Continua em uma semana)
Zurückgekommen... um zu bleiben
Como muitos de vocês já previam (eu, pelo contrário, tinha alguma esperança no contrário), a abstinência alcoólica foi rompida no 43o. dia, claro, por casa do tal uisquinho de Escócia. Agora a contagem já regressou, eu novamente abstêmio, mas só há quatro dias. Dizem por aí que só vai durar até o Interquímicas, mas reluto em confirmar esses boatos. A saúde é mais importante e, pelo menos, ainda estou dentro das especificações da médica, que aprovou o fígado, mas disse que não descuidasse do diabetes.
Como foi Brasília? Beeeem, deixa ver... desta vez foi mais legal que das outras. Tinha uma galera do mal como eu, que gosta de balada, zoar à noite, essas coisas. Não que tenhamos tido muitas oportunidades de fazê-lo, pelo contrário, a agenda era apertada e comportada. Mas valeu por ter conhecido ou reencontrado gente interessante, valeu pelo pocket-show do Gilberto Gil depois de uma palestra, valeu também pelo badalado coquetel (ou recepção?) no Itamaraty com ministros, aspirantes a celebridades, artistas, ativistas do movimento negro e, é claro, eu e minha trupe no esbaldar das doses de Black & White e outros.
O tempo (tanto o de relógio como o meteorológico) não me permitiram conhecer outra das poucas coisas que a capital tem de bom, o "lado verde". Tive uma pequena oportunidade de ir ao tal Parque da Cidade, mas o que eu queria, desafiar os praticantes de basquetebol locais, acabou não rolando. O que a capital federal tem muito de ruim pude ver como sempre: distâncias imensas, ar seco ou então bastante molhado. Mas do horizonte e da amplidão não reclamo mais, um pôr-do-sol sem prédios em volta tem mesmo lá as suas belezas.
O que estragou mais a viagem foi a saudade, a vontade de voltar logo e ver meu coração que tinha ficado. Eu poderia até ter ficado mais uma noite como muitos fizeram, para aproveitar a noite brasiliense sem o ranço da agenda do programa de bolsistas (e tudo sem custos adicionais!)... mas definharia se ficasse mais tempo longe dela. Tomei a decisão certa, por sinal.
Meu coração mora em São Paulo. E eu, como diz o título do post, voltei... para ficar.