Neste momento, o que sei é que
só compartilhamos a presença onisciente da noite
quinta-feira, março 05, 2009
Mudança de estado
Solidificando minhas certezas,
ao condensar a mente, cansada do voo,
deitei pelos olhos a alma liquefeita.
Sublimei os sentimentos com enjoo
e congelei a chama, que fique presa;
que o que ebule depois sujeita.
ao condensar a mente, cansada do voo,
deitei pelos olhos a alma liquefeita.
Sublimei os sentimentos com enjoo
e congelei a chama, que fique presa;
que o que ebule depois sujeita.
sábado, fevereiro 14, 2009
Atmosfera
O céu aumentou com a distância
Nas retas oblíquas de Brasília
abraça-me o vento
mas, se retribuo o carinho ao breu,
não sinto nada
sem você
esta cidade se sente como eu
abandonada
Nas retas oblíquas de Brasília
abraça-me o vento
mas, se retribuo o carinho ao breu,
não sinto nada
sem você
esta cidade se sente como eu
abandonada
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Arqueiro de Códego-City
Tocando feito harpa
teu arco imenso
de pó vermelho e cifras
Descubro; melhor, revelo
da terra seminua
tuas caixas enfileiradas
tuas regras
tuas ruas
Revejo tua cidade invisível
do tal povo que bem sofre, não sei onde,
da flecha que te justifica e fere
das vidas que ostentas e escondes
Não causa estranheza teu papel
e o que desfiro faz mais sentido
se me cobre, quando atiro, o teu céu.
teu arco imenso
de pó vermelho e cifras
Descubro; melhor, revelo
da terra seminua
tuas caixas enfileiradas
tuas regras
tuas ruas
Revejo tua cidade invisível
do tal povo que bem sofre, não sei onde,
da flecha que te justifica e fere
das vidas que ostentas e escondes
Não causa estranheza teu papel
e o que desfiro faz mais sentido
se me cobre, quando atiro, o teu céu.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Resignação
Por querer ser tudo
por que não ser nada?
Apenas porto meu disfarce
e já posso tomar parte!
Que bela e convencional arte
essa de violar-se...
por que não ser nada?
Apenas porto meu disfarce
e já posso tomar parte!
Que bela e convencional arte
essa de violar-se...
domingo, janeiro 18, 2009
Hermeticamente
Denso mas fugidio
mercúrio contido no vidro
A física do calor que expande
não transborda
Tenho nas veias a prata rápida
tóxica e fluida
nas mãos, a ascensão da energia
e a combinação do que se associa mas não se confunde
Porém, se minhas duas serpentes
me tornam mensageiro dos deuses,
interpreto, apenas,
e vivo nos limites da minha mortalidade
mercúrio contido no vidro
A física do calor que expande
não transborda
Tenho nas veias a prata rápida
tóxica e fluida
nas mãos, a ascensão da energia
e a combinação do que se associa mas não se confunde
Porém, se minhas duas serpentes
me tornam mensageiro dos deuses,
interpreto, apenas,
e vivo nos limites da minha mortalidade
Bom comportamento
Noite colada nos olhos
gargalo escorrendo abaixo
penso não caber nos papéis
nos testes de atores da vida
ao fundo, isolado da hora do sono,
intuo
primeiro passo para a maturidade é deixar de frustrar-se
gargalo escorrendo abaixo
penso não caber nos papéis
nos testes de atores da vida
ao fundo, isolado da hora do sono,
intuo
primeiro passo para a maturidade é deixar de frustrar-se
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Mordaças
Na praia, entrevi a intenção rosa
não-pano que não cobre
e esconde
Deste lado, preso, o pássaro
finge sufocar
não-pano que não cobre
e esconde
Deste lado, preso, o pássaro
finge sufocar
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Meus parabéns
Prestes a fazer aniversário,
escrevo desejando-me felicidades,
e são muitas as minhas vontades
para essa tarde de sagitário.
Estranho alguém desejar o melhor para si,
mas isso é o que me ocorre
agora que me achego do que morre
e me afasto do que nasci.
Dos familiares quero amor,
Dos amores, compreensões quaisquer,
Dos grandes amigos, os momentos de sempre,
sempre que der.
Dos amigos distantes aquela lembrança
concreta ou abstrata,
um pensamento, um telegrama,
uma visita, uma carta,
mas que não se esqueçam desta data.
Que eu nunca alcance a perfeição,
mas nunca desista de viver;
Que a infância nunca passe,
nem o sorrir,
nem o sofrer.
Que as forças ocultas ajudem a todos
juntos
em especial.
Feliz aniversário para nós, afinal.
escrevo desejando-me felicidades,
e são muitas as minhas vontades
para essa tarde de sagitário.
Estranho alguém desejar o melhor para si,
mas isso é o que me ocorre
agora que me achego do que morre
e me afasto do que nasci.
Dos familiares quero amor,
Dos amores, compreensões quaisquer,
Dos grandes amigos, os momentos de sempre,
sempre que der.
Dos amigos distantes aquela lembrança
concreta ou abstrata,
um pensamento, um telegrama,
uma visita, uma carta,
mas que não se esqueçam desta data.
Que eu nunca alcance a perfeição,
mas nunca desista de viver;
Que a infância nunca passe,
nem o sorrir,
nem o sofrer.
Que as forças ocultas ajudem a todos
juntos
em especial.
Feliz aniversário para nós, afinal.
terça-feira, novembro 18, 2008
Escorpião
Seu rastro é perceptível, que tal?
no cheiro de enxofre cósmico,
na trilha aérea internacional
na urina dessa meia-lua,
na noite parceira de rua
a música já ouvi
levanta o astral
e canta...
o cara-de-pau
das ruas da bastilha
ao mercado de omdurman
o trem... singra pelo ar
espiando pela escotilha
no catar ou em amsterdam
ele vem, vai desembarcar
Ele pica antes de atirar
Está levando a cabo
a nossa destruição
que doce este final!
Terrível o tal diabo
do inferno astral
no cheiro de enxofre cósmico,
na trilha aérea internacional
na urina dessa meia-lua,
na noite parceira de rua
a música já ouvi
levanta o astral
e canta...
o cara-de-pau
das ruas da bastilha
ao mercado de omdurman
o trem... singra pelo ar
espiando pela escotilha
no catar ou em amsterdam
ele vem, vai desembarcar
Ele pica antes de atirar
Está levando a cabo
a nossa destruição
que doce este final!
Terrível o tal diabo
do inferno astral
domingo, novembro 02, 2008
Andarilho
Esta poeira grudou em minha pele
corro no vento para torná-la ao nada
por ora, volto para de onde vim...
Mas a terra ínfima, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
Este vento resfriou-me de levada
um mar de pó que tanta vida propele
são faces e risos e coisas sem fim...
Pois a terra ínfima, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
Não há eu que o movimento cancele,
ainda que a reflexão da mente em caçada
seja vaga, leviana e ruim.
Mas a terra ínfima, seca, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
corro no vento para torná-la ao nada
por ora, volto para de onde vim...
Mas a terra ínfima, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
Este vento resfriou-me de levada
um mar de pó que tanta vida propele
são faces e risos e coisas sem fim...
Pois a terra ínfima, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
Não há eu que o movimento cancele,
ainda que a reflexão da mente em caçada
seja vaga, leviana e ruim.
Mas a terra ínfima, seca, pulverizada,
da cor da noite não há quem desatrele,
se a poeira hoje é parte de mim.
sexta-feira, outubro 24, 2008
Gol, o grande momento
acaricia a chute
o coração que carregava
por entre os pés
(em cada guerra que se dispute,
de armas ou travas,
fortuna ou revés
fazem amor com a relva
cortada e sem flor
e que no fundo é uma selva
de chance e de dor...)
e em simples lufada de sorte
o homem a todos trepida
instante que transborda vida
momento que inspira a morte
o coração que carregava
por entre os pés
(em cada guerra que se dispute,
de armas ou travas,
fortuna ou revés
fazem amor com a relva
cortada e sem flor
e que no fundo é uma selva
de chance e de dor...)
e em simples lufada de sorte
o homem a todos trepida
instante que transborda vida
momento que inspira a morte
terça-feira, outubro 07, 2008
Translucidez
Incomoda-me o sol, pinto de negro minhas janelas
para tentar esconder-me desde cedo
(na manhã da alma o sol sempre brilha mais)
os raios revelam os traços
as mesas não têm gavetas
O erguer do sol faz sombra sobre coisas belas
(e que coisas coleciono, rapaz)
mais que livros tenho segredos
tantos que os armários são rasos
e as camas parecem sarjetas
Vedo as portas, ponho cortinas, apago as velas
(vivo o que de vida é arremedo)
internalizo a expansão dos espaços
para que seja ignorado, tido por incapaz,
e a visibilidade não me acometa
Mas um dia eu quis ser visto, eu quis gritar,
quis mostrar que era belo,
limpo, transparente,
e vi que não era nada disso
nem era isso o que achava a gente
e pude esgoelar-me até o fim
e esgotei
enquanto caía a noite na alma
para tentar esconder-me desde cedo
(na manhã da alma o sol sempre brilha mais)
os raios revelam os traços
as mesas não têm gavetas
O erguer do sol faz sombra sobre coisas belas
(e que coisas coleciono, rapaz)
mais que livros tenho segredos
tantos que os armários são rasos
e as camas parecem sarjetas
Vedo as portas, ponho cortinas, apago as velas
(vivo o que de vida é arremedo)
internalizo a expansão dos espaços
para que seja ignorado, tido por incapaz,
e a visibilidade não me acometa
Mas um dia eu quis ser visto, eu quis gritar,
quis mostrar que era belo,
limpo, transparente,
e vi que não era nada disso
nem era isso o que achava a gente
e pude esgoelar-me até o fim
e esgotei
enquanto caía a noite na alma
quinta-feira, setembro 25, 2008
Implorar, ímpio chorar
A alma de cheiro é alma de choro,
perfuma,
permite a espuma
Largue-se inteiro, esqueça o decoro
Prostitua-
se prostre e ela é tua
perfuma,
permite a espuma
Largue-se inteiro, esqueça o decoro
Prostitua-
se prostre e ela é tua
Quero ver seus lábios me pedindo para ficar
Amor maior, do mundo voltei,
dos desvarios da vida de fora!
Mesmo sendo um tarado fugaz,
que satisfaz, mas não se demora,
quero mais a você e não nego
Aceite a chantagem que carrego,
que lhe esfrego, e farei
do retorno a você minha lei:
No mel que escorre
da cana doce chupada, lambida,
lambuze-se por sua vida
porém, antes que eu esporre,
me esgote,
e agora! E de verdade
que a felicidade
é um esporte
Se levo vida em flanada
por Áfricas quentes, Europas geladas
e Orientes médios
voltei e não quero tédio
quero uma enchente da sua saliva
e sua língua mais agressiva
que as explosões de Cabul
quero ver você toda histérica
antes de eu conquistar sua América
do Sul
dos desvarios da vida de fora!
Mesmo sendo um tarado fugaz,
que satisfaz, mas não se demora,
quero mais a você e não nego
Aceite a chantagem que carrego,
que lhe esfrego, e farei
do retorno a você minha lei:
No mel que escorre
da cana doce chupada, lambida,
lambuze-se por sua vida
porém, antes que eu esporre,
me esgote,
e agora! E de verdade
que a felicidade
é um esporte
Se levo vida em flanada
por Áfricas quentes, Europas geladas
e Orientes médios
voltei e não quero tédio
quero uma enchente da sua saliva
e sua língua mais agressiva
que as explosões de Cabul
quero ver você toda histérica
antes de eu conquistar sua América
do Sul
terça-feira, agosto 19, 2008
Hipoglicemia
Alimento-me
por sonhos de fogo-fátuo
nuvem que fosse
algodão-doce
desmanchando na boca
pouca
Não pago a fome que trago
e vês
o pranto que nutro no canto
pelo pútrido pão que retalhas
e pouco crês, e tanto falas,
que não peço,
nem falhas:
tropeço atrás das migalhas.
(e é tudo de graça!
Vivo de luz e desgraça.)
por sonhos de fogo-fátuo
nuvem que fosse
algodão-doce
desmanchando na boca
pouca
Não pago a fome que trago
e vês
o pranto que nutro no canto
pelo pútrido pão que retalhas
e pouco crês, e tanto falas,
que não peço,
nem falhas:
tropeço atrás das migalhas.
(e é tudo de graça!
Vivo de luz e desgraça.)
Que eu vede o que vós vedes
Começo e me pedes
tropeço na rede.
É começo em parede
se tropeço e me medes.
Expresso e esqueço
o apreço em excesso,
apresso, enrijeço
e mereço o sucesso.
Recomeço e pareço
travesso, confesso,
te peço, obedeço,
avesso, e cesso.
tropeço na rede.
É começo em parede
se tropeço e me medes.
Expresso e esqueço
o apreço em excesso,
apresso, enrijeço
e mereço o sucesso.
Recomeço e pareço
travesso, confesso,
te peço, obedeço,
avesso, e cesso.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Way of life
Aos telhados do mundo,
as pedras que ainda estão no ar
por jogar
Temos a loucura que transborda das pálpebras,
que seca e funde-se à poeira e ao vento
e não nulifica por dentro
Feliz essência de vida e lágrimas!
Nossa revolução, amarrada e muda,
não precisa mais de ajuda
as pedras que ainda estão no ar
por jogar
Temos a loucura que transborda das pálpebras,
que seca e funde-se à poeira e ao vento
e não nulifica por dentro
Feliz essência de vida e lágrimas!
Nossa revolução, amarrada e muda,
não precisa mais de ajuda
quarta-feira, julho 30, 2008
Evanescer
A alma que resplandece
-a fé no nada-
é calma que evanesce
-abala montanhas-
Se sou volúvel
sou vontade
sou solúvel
sou saudade
-a fé no nada-
é calma que evanesce
-abala montanhas-
Se sou volúvel
sou vontade
sou solúvel
sou saudade
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