acaricia a chute
o coração que carregava
por entre os pés
(em cada guerra que se dispute,
de armas ou travas,
fortuna ou revés
fazem amor com a relva
cortada e sem flor
e que no fundo é uma selva
de chance e de dor...)
e em simples lufada de sorte
o homem a todos trepida
instante que transborda vida
momento que inspira a morte
sexta-feira, outubro 24, 2008
terça-feira, outubro 07, 2008
Translucidez
Incomoda-me o sol, pinto de negro minhas janelas
para tentar esconder-me desde cedo
(na manhã da alma o sol sempre brilha mais)
os raios revelam os traços
as mesas não têm gavetas
O erguer do sol faz sombra sobre coisas belas
(e que coisas coleciono, rapaz)
mais que livros tenho segredos
tantos que os armários são rasos
e as camas parecem sarjetas
Vedo as portas, ponho cortinas, apago as velas
(vivo o que de vida é arremedo)
internalizo a expansão dos espaços
para que seja ignorado, tido por incapaz,
e a visibilidade não me acometa
Mas um dia eu quis ser visto, eu quis gritar,
quis mostrar que era belo,
limpo, transparente,
e vi que não era nada disso
nem era isso o que achava a gente
e pude esgoelar-me até o fim
e esgotei
enquanto caía a noite na alma
para tentar esconder-me desde cedo
(na manhã da alma o sol sempre brilha mais)
os raios revelam os traços
as mesas não têm gavetas
O erguer do sol faz sombra sobre coisas belas
(e que coisas coleciono, rapaz)
mais que livros tenho segredos
tantos que os armários são rasos
e as camas parecem sarjetas
Vedo as portas, ponho cortinas, apago as velas
(vivo o que de vida é arremedo)
internalizo a expansão dos espaços
para que seja ignorado, tido por incapaz,
e a visibilidade não me acometa
Mas um dia eu quis ser visto, eu quis gritar,
quis mostrar que era belo,
limpo, transparente,
e vi que não era nada disso
nem era isso o que achava a gente
e pude esgoelar-me até o fim
e esgotei
enquanto caía a noite na alma
quinta-feira, setembro 25, 2008
Implorar, ímpio chorar
A alma de cheiro é alma de choro,
perfuma,
permite a espuma
Largue-se inteiro, esqueça o decoro
Prostitua-
se prostre e ela é tua
perfuma,
permite a espuma
Largue-se inteiro, esqueça o decoro
Prostitua-
se prostre e ela é tua
Quero ver seus lábios me pedindo para ficar
Amor maior, do mundo voltei,
dos desvarios da vida de fora!
Mesmo sendo um tarado fugaz,
que satisfaz, mas não se demora,
quero mais a você e não nego
Aceite a chantagem que carrego,
que lhe esfrego, e farei
do retorno a você minha lei:
No mel que escorre
da cana doce chupada, lambida,
lambuze-se por sua vida
porém, antes que eu esporre,
me esgote,
e agora! E de verdade
que a felicidade
é um esporte
Se levo vida em flanada
por Áfricas quentes, Europas geladas
e Orientes médios
voltei e não quero tédio
quero uma enchente da sua saliva
e sua língua mais agressiva
que as explosões de Cabul
quero ver você toda histérica
antes de eu conquistar sua América
do Sul
dos desvarios da vida de fora!
Mesmo sendo um tarado fugaz,
que satisfaz, mas não se demora,
quero mais a você e não nego
Aceite a chantagem que carrego,
que lhe esfrego, e farei
do retorno a você minha lei:
No mel que escorre
da cana doce chupada, lambida,
lambuze-se por sua vida
porém, antes que eu esporre,
me esgote,
e agora! E de verdade
que a felicidade
é um esporte
Se levo vida em flanada
por Áfricas quentes, Europas geladas
e Orientes médios
voltei e não quero tédio
quero uma enchente da sua saliva
e sua língua mais agressiva
que as explosões de Cabul
quero ver você toda histérica
antes de eu conquistar sua América
do Sul
terça-feira, agosto 19, 2008
Hipoglicemia
Alimento-me
por sonhos de fogo-fátuo
nuvem que fosse
algodão-doce
desmanchando na boca
pouca
Não pago a fome que trago
e vês
o pranto que nutro no canto
pelo pútrido pão que retalhas
e pouco crês, e tanto falas,
que não peço,
nem falhas:
tropeço atrás das migalhas.
(e é tudo de graça!
Vivo de luz e desgraça.)
por sonhos de fogo-fátuo
nuvem que fosse
algodão-doce
desmanchando na boca
pouca
Não pago a fome que trago
e vês
o pranto que nutro no canto
pelo pútrido pão que retalhas
e pouco crês, e tanto falas,
que não peço,
nem falhas:
tropeço atrás das migalhas.
(e é tudo de graça!
Vivo de luz e desgraça.)
Que eu vede o que vós vedes
Começo e me pedes
tropeço na rede.
É começo em parede
se tropeço e me medes.
Expresso e esqueço
o apreço em excesso,
apresso, enrijeço
e mereço o sucesso.
Recomeço e pareço
travesso, confesso,
te peço, obedeço,
avesso, e cesso.
tropeço na rede.
É começo em parede
se tropeço e me medes.
Expresso e esqueço
o apreço em excesso,
apresso, enrijeço
e mereço o sucesso.
Recomeço e pareço
travesso, confesso,
te peço, obedeço,
avesso, e cesso.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Way of life
Aos telhados do mundo,
as pedras que ainda estão no ar
por jogar
Temos a loucura que transborda das pálpebras,
que seca e funde-se à poeira e ao vento
e não nulifica por dentro
Feliz essência de vida e lágrimas!
Nossa revolução, amarrada e muda,
não precisa mais de ajuda
as pedras que ainda estão no ar
por jogar
Temos a loucura que transborda das pálpebras,
que seca e funde-se à poeira e ao vento
e não nulifica por dentro
Feliz essência de vida e lágrimas!
Nossa revolução, amarrada e muda,
não precisa mais de ajuda
quarta-feira, julho 30, 2008
Evanescer
A alma que resplandece
-a fé no nada-
é calma que evanesce
-abala montanhas-
Se sou volúvel
sou vontade
sou solúvel
sou saudade
-a fé no nada-
é calma que evanesce
-abala montanhas-
Se sou volúvel
sou vontade
sou solúvel
sou saudade
segunda-feira, julho 21, 2008
Ageometria
Não é fácil dar sentido à existência.
Pelo menos, sem saber sua direção...
Afinal, o sentido é uma propriedade associada a uma direção. Se considerarmos que uma direção pode ser representada por uma reta, cada direção pode ter dois sentidos, que indicam os dois percursos possíveis sobre o tal caminho. Por exemplo, se considerarmos a direção vertical, os dois sentidos possíveis são para cima e para baixo. Na direção do ônibus, há o sentido centro-periferia e o sentido periferia-centro. O de quem vai e o de quem vem. E na direção do que existe, há coerência?
Difícil de achar, a tal direção. Vou ou venho? Difícil dizer em que caminho corre uma vida de desvios múltiplos, de caminhos concomitantes, complementares, suplementares, paralelos, perpendiculares, em transversão...
E o módulo então? Qual o módulo, a especificação de valor de nossa existência? E que que unidade de medida usaremos, a felicidade, a bonomia, as realizações (financeiras, profissionais, genéticas ou emotivas)?
Pobres coisas que estão vivas!
Que existência sem sentido,
direção,
módulo,
medida!
A geometria
ageométrica
é geomântica
como a vida!
Vida que é confusa e triste!
Por que é que tudo existe?...
Pelo menos, sem saber sua direção...
Afinal, o sentido é uma propriedade associada a uma direção. Se considerarmos que uma direção pode ser representada por uma reta, cada direção pode ter dois sentidos, que indicam os dois percursos possíveis sobre o tal caminho. Por exemplo, se considerarmos a direção vertical, os dois sentidos possíveis são para cima e para baixo. Na direção do ônibus, há o sentido centro-periferia e o sentido periferia-centro. O de quem vai e o de quem vem. E na direção do que existe, há coerência?
Difícil de achar, a tal direção. Vou ou venho? Difícil dizer em que caminho corre uma vida de desvios múltiplos, de caminhos concomitantes, complementares, suplementares, paralelos, perpendiculares, em transversão...
E o módulo então? Qual o módulo, a especificação de valor de nossa existência? E que que unidade de medida usaremos, a felicidade, a bonomia, as realizações (financeiras, profissionais, genéticas ou emotivas)?
Pobres coisas que estão vivas!
Que existência sem sentido,
direção,
módulo,
medida!
A geometria
ageométrica
é geomântica
como a vida!
Vida que é confusa e triste!
Por que é que tudo existe?...
segunda-feira, julho 14, 2008
Cal lendária
A alma dança e desfila
faz fila
na esperança oscila
E o menino fere, confere
final a quem comporte
sorte
pontual como a morte
faz fila
na esperança oscila
E o menino fere, confere
final a quem comporte
sorte
pontual como a morte
terça-feira, julho 01, 2008
quarta-feira, junho 25, 2008
Utensílios
Tesoura
de cortar pesadelos
Agulha
que costure o fio de lágrimas
Colher
(pra adoçar as palavras)
Fé
pra parar de medir as mágoas
de cortar pesadelos
Agulha
que costure o fio de lágrimas
Colher
(pra adoçar as palavras)
Fé
pra parar de medir as mágoas
quarta-feira, junho 18, 2008
Arco-e-flecha
O sangue seco do chão
brotando por suas ruas
não-becos, calhas e luas
por vento lento
pulverulento
Por ímpeto sagitário,
que vila vã cinabrina
almeja a volta ao Atlântico?
Minha mercúria menina,
no tic-tac do erário,
tuas setas tintas de dentro
coagulam em par romântico
o virgem verde do centro.
Pó rubro, não vens em vão.
Brasília te utiliza
e a vida que paralisas
é seca, mas coração.
E sei, sinto, pelo ar,
que a cada frágil instante
esperas chuva cintilante
para pulsar...
brotando por suas ruas
não-becos, calhas e luas
por vento lento
pulverulento
Por ímpeto sagitário,
que vila vã cinabrina
almeja a volta ao Atlântico?
Minha mercúria menina,
no tic-tac do erário,
tuas setas tintas de dentro
coagulam em par romântico
o virgem verde do centro.
Pó rubro, não vens em vão.
Brasília te utiliza
e a vida que paralisas
é seca, mas coração.
E sei, sinto, pelo ar,
que a cada frágil instante
esperas chuva cintilante
para pulsar...
terça-feira, junho 10, 2008
segunda-feira, junho 09, 2008
Leve afeto
coração que brinca
coração que blefa
ele não se finca
ele só me leva
e se ele te trinca
não te deixa treva
pois tanto te enleva
que também te vinca
e se ele aposta
depois só eleva
e se ele gosta
sempre existe entrega
se não tás disposta
ele te carrega
e se ele fez bosta
você me releva?
coração que blefa
ele não se finca
ele só me leva
e se ele te trinca
não te deixa treva
pois tanto te enleva
que também te vinca
e se ele aposta
depois só eleva
e se ele gosta
sempre existe entrega
se não tás disposta
ele te carrega
e se ele fez bosta
você me releva?
sexta-feira, maio 23, 2008
Endeusando
Arbítrio retorta
saltando da alma
soprando a vida
marreta a calma
no aço da porta
e forja a saída
saltando da alma
soprando a vida
marreta a calma
no aço da porta
e forja a saída
quarta-feira, maio 14, 2008
Salvem nossas vozes!
O não-acontecimento
trouxe rimas mais impuras
perturbou as estruturas
de nosso edifício bento,
nada havendo no ar que brade
pelo nosso salvamento.
Veio vento violento
e pôs fim à voz dos covardes.
O cenário que se afigura
demonstra fragilidades,
expõe as veleidades,
ofende a literatura,
faz do caos o soberano
e mata sem avisar.
Tira do parceiro o par,
torna o divino mundano.
Sem voz que logre entoar
ante o mal a tal canção,
disso sendo anfitrião,
só vou me manifestar
silenciando, por que não,
no plano da ação no plano.
Nada há de mais humano
que aguardar intervenção...
trouxe rimas mais impuras
perturbou as estruturas
de nosso edifício bento,
nada havendo no ar que brade
pelo nosso salvamento.
Veio vento violento
e pôs fim à voz dos covardes.
O cenário que se afigura
demonstra fragilidades,
expõe as veleidades,
ofende a literatura,
faz do caos o soberano
e mata sem avisar.
Tira do parceiro o par,
torna o divino mundano.
Sem voz que logre entoar
ante o mal a tal canção,
disso sendo anfitrião,
só vou me manifestar
silenciando, por que não,
no plano da ação no plano.
Nada há de mais humano
que aguardar intervenção...
sexta-feira, maio 09, 2008
Gateando
Gorgolejo tua essência
Gazeteando em lençóis
grafamos na cama
o alfa e o gama:
É greve entre nós.
Instigo as gônadas,
galante e gracioso,
e cravo no gozo
a garra que mata
em tua pele, teu pêlo de gata
Gazeteando em lençóis
grafamos na cama
o alfa e o gama:
É greve entre nós.
Instigo as gônadas,
galante e gracioso,
e cravo no gozo
a garra que mata
em tua pele, teu pêlo de gata
sábado, maio 03, 2008
Inverno
Não trema
o frio esquenta
nem tema
o coração
falei-me
o cedo nem sempre é tarde
calei-me
do jeito que é mais covarde
o frio esquenta
nem tema
o coração
falei-me
o cedo nem sempre é tarde
calei-me
do jeito que é mais covarde
domingo, abril 27, 2008
Spleen
lick me
until I leak
spear me from the cost
unless I speak
I feel the chill
please let's not spill
spine, sponge, spear
sugar
until I leak
spear me from the cost
unless I speak
I feel the chill
please let's not spill
spine, sponge, spear
sugar
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