quinta-feira, setembro 25, 2008

Quero ver seus lábios me pedindo para ficar

Amor maior, do mundo voltei,
dos desvarios da vida de fora!

Mesmo sendo um tarado fugaz,
que satisfaz, mas não se demora,
quero mais a você e não nego

Aceite a chantagem que carrego,
que lhe esfrego, e farei
do retorno a você minha lei:

No mel que escorre
da cana doce chupada, lambida,
lambuze-se por sua vida

porém, antes que eu esporre,
me esgote,
e agora! E de verdade

que a felicidade
é um esporte

Se levo vida em flanada
por Áfricas quentes, Europas geladas
e Orientes médios

voltei e não quero tédio
quero uma enchente da sua saliva
e sua língua mais agressiva
que as explosões de Cabul

quero ver você toda histérica
antes de eu conquistar sua América
do Sul

terça-feira, agosto 19, 2008

Hipoglicemia

Alimento-me
por sonhos de fogo-fátuo

nuvem que fosse
algodão-doce
desmanchando na boca
pouca

Não pago a fome que trago
e vês
o pranto que nutro no canto
pelo pútrido pão que retalhas
e pouco crês, e tanto falas,

que não peço,
nem falhas:
tropeço atrás das migalhas.

(e é tudo de graça!
Vivo de luz e desgraça.)

Que eu vede o que vós vedes

Começo e me pedes
tropeço na rede.
É começo em parede
se tropeço e me medes.

Expresso e esqueço
o apreço em excesso,
apresso, enrijeço
e mereço o sucesso.

Recomeço e pareço
travesso, confesso,
te peço, obedeço,
avesso, e cesso.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Way of life

Aos telhados do mundo,
as pedras que ainda estão no ar
por jogar

Temos a loucura que transborda das pálpebras,
que seca e funde-se à poeira e ao vento
e não nulifica por dentro

Feliz essência de vida e lágrimas!

Nossa revolução, amarrada e muda,
não precisa mais de ajuda

quarta-feira, julho 30, 2008

Evanescer

A alma que resplandece
-a fé no nada-
é calma que evanesce
-abala montanhas-

Se sou volúvel
sou vontade
sou solúvel
sou saudade

segunda-feira, julho 21, 2008

Ageometria

Não é fácil dar sentido à existência.

Pelo menos, sem saber sua direção...

Afinal, o sentido é uma propriedade associada a uma direção. Se considerarmos que uma direção pode ser representada por uma reta, cada direção pode ter dois sentidos, que indicam os dois percursos possíveis sobre o tal caminho. Por exemplo, se considerarmos a direção vertical, os dois sentidos possíveis são para cima e para baixo. Na direção do ônibus, há o sentido centro-periferia e o sentido periferia-centro. O de quem vai e o de quem vem. E na direção do que existe, há coerência?

Difícil de achar, a tal direção. Vou ou venho? Difícil dizer em que caminho corre uma vida de desvios múltiplos, de caminhos concomitantes, complementares, suplementares, paralelos, perpendiculares, em transversão...

E o módulo então? Qual o módulo, a especificação de valor de nossa existência? E que que unidade de medida usaremos, a felicidade, a bonomia, as realizações (financeiras, profissionais, genéticas ou emotivas)?

Pobres coisas que estão vivas!

Que existência sem sentido,
direção,
módulo,
medida!

A geometria
ageométrica
é geomântica
como a vida!

Vida que é confusa e triste!
Por que é que tudo existe?...

segunda-feira, julho 14, 2008

Cal lendária

A alma dança e desfila
faz fila
na esperança oscila

E o menino fere, confere

final a quem comporte
sorte
pontual como a morte

terça-feira, julho 01, 2008

quarta-feira, junho 25, 2008

Utensílios

Tesoura
de cortar pesadelos

Agulha
que costure o fio de lágrimas

Colher
(pra adoçar as palavras)

Fé
pra parar de medir as mágoas

quarta-feira, junho 18, 2008

Arco-e-flecha

O sangue seco do chão
brotando por suas ruas
não-becos, calhas e luas
por vento lento
pulverulento

Por ímpeto sagitário,
que vila vã cinabrina
almeja a volta ao Atlântico?
Minha mercúria menina,

no tic-tac do erário,
tuas setas tintas de dentro
coagulam em par romântico
o virgem verde do centro.

Pó rubro, não vens em vão.
Brasília te utiliza
e a vida que paralisas
é seca, mas coração.

E sei, sinto, pelo ar,
que a cada frágil instante
esperas chuva cintilante
para pulsar...

terça-feira, junho 10, 2008

Segredinho

ofusca
alma que brilha
e trilha
a picadilha

tão brusco
e andarilho
partilho
os pecadilhos

segunda-feira, junho 09, 2008

Leve afeto

coração que brinca
coração que blefa
ele não se finca
ele só me leva

e se ele te trinca
não te deixa treva
pois tanto te enleva
que também te vinca

e se ele aposta
depois só eleva
e se ele gosta
sempre existe entrega

se não tás disposta
ele te carrega
e se ele fez bosta
você me releva?

sexta-feira, maio 23, 2008

Endeusando

Arbítrio retorta
saltando da alma
soprando a vida

marreta a calma
no aço da porta
e forja a saída

quarta-feira, maio 14, 2008

Salvem nossas vozes!

O não-acontecimento
trouxe rimas mais impuras
perturbou as estruturas
de nosso edifício bento,

nada havendo no ar que brade
pelo nosso salvamento.
Veio vento violento
e pôs fim à voz dos covardes.

O cenário que se afigura
demonstra fragilidades,
expõe as veleidades,
ofende a literatura,

faz do caos o soberano
e mata sem avisar.
Tira do parceiro o par,
torna o divino mundano.

Sem voz que logre entoar
ante o mal a tal canção,
disso sendo anfitrião,
só vou me manifestar

silenciando, por que não,
no plano da ação no plano.
Nada há de mais humano
que aguardar intervenção...

sexta-feira, maio 09, 2008

Gateando

Gorgolejo tua essência

Gazeteando em lençóis
grafamos na cama
o alfa e o gama:
É greve entre nós.

Instigo as gônadas,
galante e gracioso,
e cravo no gozo
a garra que mata

em tua pele, teu pêlo de gata

sábado, maio 03, 2008

Inverno

Não trema
o frio esquenta
nem tema
o coração

falei-me
o cedo nem sempre é tarde
calei-me
do jeito que é mais covarde

domingo, abril 27, 2008

Spleen

lick me
until I leak

spear me from the cost
unless I speak

I feel the chill
please let's not spill
spine, sponge, spear
sugar

terça-feira, abril 22, 2008

Baú

Caixas enfileiradas
iluminadas
dispostas ao longo de longas linhas
largas
surdas
minhas
mudas.

Moro no ninho do pássaro em chama
da gente encaixotada
do povo bem escondido.
Há grama que não reclama
piada ainda não contada
e grito que é gemido.

E no vazio do norte-sul
da brisa livre e azul

estanco.

Com um tranco e nada mais
eis que atraca meu caixote
que por tudo e dois reais
vai ao fim da asa norte.

sexta-feira, abril 18, 2008

Eco

Dos sentimentos
que hipoteco

--tanto repenso
que disseco--,

só queria
um repeteco

terça-feira, abril 15, 2008

Glacial

Planície branca
anti-ártica
de repente estanca
a estática

(in)fértil
como salitre
no alvor álgido
do alvitre

quinta-feira, março 20, 2008

Arte

Cada artista dos que somos
tem algo de inumano
inamistoso
e cada trecho que componho
transparece
nossa incapacidade de sentir
o que vem de fora
ou de dentro
de você

Cada artista dos que somos
tem algo de desumano
desonroso
estou disposto a traficar sonhos
não esquece
pegue a oportunidade de sentir
antes estou fora
agora dentro
de você

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Verão

Fui buscar minha alma onde a deixei
da última vez em que não estive lá
e o cerrado trabalho me consumiu

mas a terra seminua tornou-se rio
bastou a vida o ano novo gerar
e rumo ao alegre sereno naveguei!

Patinamos na tropical neve,
a nave, a areia, a greve,
com o azul-verde-líquido
que banha os espíritos
e lava e suja (e lava)
e em nossa mente se cava

e nos forma em coração.
Se é a Memória quem vale,
fiz um calendário só de janeiros!

Um ano de risos inteiros...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Amar é criar?

Amor é, ou não,
fetiche da incompreensão?

Se querer é ter ilusões de eternidade
Eu as tive, colecionei,
E, coração:
Amor é o nome da coleção

Pois então eu que te fiz,
O que és é o que eu quis;
Vives cá em minhas brumas
E nuvens de inspiração,
Existência tens nenhuma
Fora da imaginação.

Se é assim, eu te toquei,
Mas teu corpo não é teu,
Tu que amo vive em mim.
O que a boca prometeu
Pra você baixinho assim
Pro teu corpo eu nem falei...

Holograma inteligente
Tu és outrem que mereço
Nada em ti é bem real
Esta boca às vezes mente,
Mas tu mesma eu nem conheço
E quem somos afinal?

Mas não te aborreças com isto!
Afinal, também, pra ti,
Certamente não existo...

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Feliz 2008!

A todos, votos de felicidades, aventuras e alegrias!!
Eu ando vivendo as minhas...

domingo, dezembro 23, 2007

Verde

Desacato cristalino
no compasso
menino
sentido lato
um arregaço
nos círculos mais finos

no mundo negro dos sapatos
esperança é estardalhaço
ainda franzino
puro negro esmeraldino

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Única voz

Desfile pela floresta
sem chocar-se
em árvore nenhuma
ou galho ou moita

ou presa afoita
ou porção de bruma
e trespassar-se
será sua grande festa!

Seja inerte ao passado
seja flecha disparada
rumo ao ignorado
pois a vida é tudo e nada...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Soneto do fracasso de público

Tenho por testemunha o nada em cio
o nada multiplicado ao relento
que, ainda que vão, vive em aumento
e se reproduz por meses a fio.

Meus escritos são vento macio
represado em meu apartamento
e não merecem desapontamento
ou loa, inverno ou estio.

Jogando palavras no vazio,
no compulsivo preenchimento
de meu vácuo pensamento,

meu oco é muito mais frio,
se nem te causo arrepio
no despejar de um tormento.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Liber

Inflei meu peito sofrido
busquei o gargalo gelado
para escorrer...
da long-neck
mas sem pileque

Resta saber...
se a ciência da dor
vai entender

terça-feira, outubro 16, 2007

A cordilheira

Se a totalidade do sereno
está no terreno do impossível,
o invisível torna-se o pleno.

Ater-se a uma vida corriqueira,
sem dar as caras ao mundo, na média,
já que a vida-cordilheira
está fadada à tragédia?

Ou perder-se em pensamentos,
sonhando silente em pé,
com o que podia estar sendo
agora que não mais é?

Aprecie o privilégio
de uma mente indesperta:
o que se opõe ao tédio,
no saber, é a descoberta!

Então viva pelo avesso
e perceba
que o melhor do sonho é o começo

Sufoco

Silencie o amor
sufoque o soluço
segure o espirro
espasmo de dor

A estrela que nasce contida
se debate
no embate-contrário da vida

A palavra doce é retida

angústia secreta
no andor
o grito engolido
em flor

e a morte súbita
decúbita
se erige

estoura na mente
o rio não chorado
estoura no peito
o berro travado

de todos os sonhos que nutria
sobrou-lhe a asfixia

domingo, setembro 16, 2007

Descarrilhando

-"Não percebeu que o espírito do homem ia talvez descarrilhar" (Machado de Assis, "Quincas Borba")

---

Andei achando que me encontrei
despistei o que desgovernou
Saí-me do cerne do que sou
para ser do seio do que sei.

Pois do pai eu sou sempre o filho
e em minha sina não humilho, mas malho
e nos trilhos do trem eu trabalho
pra voar sem barreira ou anilho.

Se, com as raivas da rinha, não ralho
e, no desvio das vias, vacilo
e não calo e nem falo e nem puxo estrilbilho,
do talho da torpe moral tenho o estalo:

sei que o trem fere o filho
com a frente que sai do trilho

quinta-feira, agosto 16, 2007

Má inflluência

Tenho andado tão certinho
um homem perfeito, assim tão direito
que dorme na linha e sempre cedinho
na batalha diuturna de escritório

E na vida minha de burocrata
rotina paulatina da sala ao mictório
nos corredores verde-grises do governo federal
cruzando a soberba vã dos diplomatas
durante um ploc-ploc qualquer dos sapatos brilhantes
após conversas e pessoas insípidas de café
me sinto travesso, prevejo um tropeço
ainda que por um instante

a um gênio qualquer
eu peço um desejo
e logo te vejo
menina-mulher.

tu surges assim triunfante
não me reconheço, me ponho do avesso
puxo-te um papo sem topo nem pé
e a vida rebola com a graça de antes
vêm-me ânsias imensas e exatas
vou te raptar desse dia banal
ofertando meu amor provisório
sem dramas e sem serenata

sem falsas promessas de mau parlatório
Eu digo o que quero... tua mente adivinho!
Teu jogo com jeito de êxtase aceito
e gozo gemendo baixinho

quinta-feira, agosto 02, 2007

Eixão

seis vias que vão e vêm
se os dias em vão me vêem
vai comigo lá em cima
e volta
ventando?

no eterno azul
a fluidez do ar seco me escapa

até dezesseis no teu mapa
meu norte é teu sul

sou radar que te busca
na freada brusca

terça-feira, julho 10, 2007

Sagitário

A flecha disparada rumo ao ignorado
voa voa voa voa

os cascos sorvem energia telúrica
a mente devaneia sob a inconstância

no meio, a raiva do fogo queima
velha alma combure
sem rancor

e do calor
vem a ânsia
de quebrar o ovo e buscar o novo
sempre de novo

pois na roda mutante
nada vai mais de um instante

e se não sei o que acerto,
se acerto, se é certo,
só sei que mudar é mais importante

Quem não explora atrás da esperança
nem se arrisca,
não vive criança

No céu

minha seta conquista a distância,
a estrela pisca
transforma a lembrança

Na lua

não mente o que sente
o coração:
com paixão não há compaixão.

Se, mudo, mudo de ti assim,
perdoa-me,
componha-te.
Queixas não ouvirás de mim.

segunda-feira, junho 11, 2007

Joystick

Te vejo no tédio:
remédio.

O fósforo habito...
palito?

Do corpo sou ramo,
te inflamo...

Se falta a faísca,
me risca!

domingo, maio 06, 2007

A vida como ela não deve ser

Homenagem ao gênio rodrigueano instalado em nossa hipocrisia cotidiana.


A ciumenta

---

Ao ver com ela uma cena louca de perda e morte no cinema, o rapaz começou a pensar e perguntou, de repente e despretensiosamente:

- E se a gente terminasse? Você ia também querer me matar?
- Sim, por que não? Hehehehe...
- Não, estou falando sério? E se a gente terminasse?
- Por que, você quer terminar comigo?
- Não é isso.
- Então por que essa pergunta cretina? Faz alguma diferença?
- ...

Ele não respondeu, mas a verdade é que fazia. Queria saber, não obstante a amasse loucamente e nunca tivesse pensado em deixá-la, se continuava no domínio do livre arbítrio ou estava preso ao compromisso.

---

A perseguição

Até aquele dia, o rapaz tinha vivido na mais absoluta harmonia com Suzete. A jovem era bem-huumorada, não implicava com nada, nem com a sempre suspeita combinação de futebol, cerveja e amigos desacompanhados que Malaquias se reservava às quartas-feiras. Ele, bem apessoado, até se incomodava com a falta de ciúmes da pequena. A seu amigo mais próximo, Genésio, confidenciava: "Acho que ela não gosta de mim, nem se importa quando passo com ela na rua e as outras me comem com os olhos!"

No entanto, naquela noite, no cinema, ele viu nela uma fagulha de senso de pertencimento: era o tal ciúme mesmo, um medo descabido do fim. E aquilo o perturbou. Suzete continuava a se comportar como sempre, permitindo-lhe um desprendimento que beirava o inusual. Não se importava nem com a proximidade constante entre Malaquias e amigas bonitas. Ainda assim, o rapaz começou a achar que a namorada mandava vigiar cada passo seu.

Os dias se passaram e agonia foi crescendo. Qualquer brincadeira da mulher no sentido de mostrar um ciúme lúdico punha-o apavorado.

- Minha pequena me persegue, é o cão!, dizia a Genésio. Olha feio para todas as minhas amigas!

- Que nada, rapaz, ela só pensa em ti! E nem ralha com o teu futebol, nem quando você chega bêbado na casa dela, com cheiro de pinga...

- Pois é! Alguma coisa tem aí, te digo! Aposto que ela manda alguém me seguir!


---

Desfecho inesperado


Meses depois, Malaquias já tinha hábitos um tanto heterodoxos. Saía de casa em horários escusos e disfarçado, e percorria trajetos despistantes. Como não descobrisse nada de diferente no temepramento da namorada, arrumou uma amante, só para ver se Suzete o vigiava. Com a nova pequena, uma feiazinha chamada Isabel, tornava-se cada vez mais descarado. Uma vez foi com ela ao cinema da cidadezinha de interior, na frente de todas as fofoqueiras, só para ver o resultado. E Suzete nada dizia, com o que ele asseverava: "Aí tem coisa! Ela me vigia, deve ter vídeos, fotos, eta diabo ciumento!"

Um dia, irritou-se, foi com Isabel à casa de Suzete e perguntou:

- Escute, você andou ouvindo que ando saindo com Isabel?

- Ouvi sim, meu amor, mas é tudo intriga desse povinho maldoso! Te amo mais que tudo, confio em você! Isabel é só uma amiga, não é?

- Mas como é falsa! Disfarça esse teu ciúme agora, disfarça!

E beijou a boca de Isabel na frente da namorada, do sogro, da prima deficiente. Foi escorraçado sob vassouradas da tia fofoqueira. Só então se deu conta da besteira que tinha feito, do relcaionamento perfeito que tinha destruído frivolamente, desde aquela noite no cinema.

---

O cinema e o burro

Mudou-se da cidade com Isabel. No dia em que soube, por um primo maldoso, que Suzete havia se casado com seu antigo melhor amigo, Genésio, foi com a ex-amante ao cinema ver um musical.

Ouvia aquelas canções, poemas sonoros, com os olhos marejados e a milhares de quilômetros. A mão que acariciava era outra, mas nem parecia. Ao pensar na pequena que perdeu, uma lágrima rolou em seu rosto. No entanto, de súbito mudou de idéia: pensou em Genésio e ficou com raiva.

- A culpa foi desse cara, agora eu vejo. Era um filho-da-puta mesmo. Estava de olho nela e inventou que a pequena era ciumenta só pra roubá-la de mim.

Isabel, conformada com o homem burro e bonito que tinha arranjado, limitou-se a mandá-lo ficar quieto, para que não atrapalhasse o filme.

---

Conto escrito em 02.05.07

quinta-feira, abril 12, 2007

Duas da gaveta trancada

(que cara sem-vergonha.)


Sujo

tu és tão bonita
e talvez safada
o jeito me irrita
a voz me enfada

não gosto de ti
mas esse é teu dom
o te destruir
parece tão bom...

Te odeio
te venero aos palavrões
te anseio
em mais de mil perversões

não peço licença
resmungo
não é bonito, é sujo
vem convalescença
retalho
não te amo, te sujo

com força, conduzo
com raiva, produzo
teu gozo, deduzo...
Ei, vamos terminando!

está tudo de fora...
vazam rios de águas tristes
vazam rios de almas tristes
na noite mais fria
com a mente vazia

eu quero ir embora.

Marcus 02/02/05

---

Curvas

sussurrava suspiros sórdidos.
Serenado sob os seios,
sentia sobrarem sedes surdas.

Submisso,
sofrido e omisso,
sorvendo suas curvas,

um gesto perfeito!
Gemia em jatos,
jorrando os fatos,
e, sim, satisfeito.

Marcus 03/04/05

quinta-feira, abril 05, 2007

Arco-íris ou ponte-aérea?

Na secura azul do céu
do rubro da fantasia,
sonhei que daqui saía!

Sonho bom da realidade...
Faz do azul-pastel
cinza-chuva e felicidade

quarta-feira, abril 04, 2007

Decoração

Somos dois, eu, pelo menos...
e qual "eu" eu vivencio,
qual que nos influencio?

Queimo a alma bem antes da bigorna
e sem temer meu fervor ascético
nem minhas paixões tortas
forjo meu espírito com marretas invisíveis
e o penduro em minha porta

terça-feira, março 20, 2007

Sabor do vento

Estive pensando
o caminho não ficou impresso
mas o vento andou soprando
por nós

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Crescimento

Vi-me mais alto que meu eu
um tal desengonçado e inseguro
pensando unicamente no futuro
e nunca mais no que já feneceu

Da cama eu caía ali por perto
buscando o aumento na lembrança
mudança invisível que me alcança
por tempo que não é sabido ao certo

Vi-me aqui fora, cristalino,
e, no espelho, imagem que não some,
forçamos meu caminho no destino.

De quem eu vi, eu nem sabia o nome
Vi-me alegre por não ver menino
vi-me alegre por não ver um homem

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Outro jeito

Poesia asséptica,
límpida,
milimétrica,

és tão bonita que quero imperfazer-te
diversa como a diversão
espero ter-te na mão que tirita
perversa como a razão
que se descobre não-racional
e, nobre, se verte no mal
que se chama emoção.

Não há outra maneira de jogar o jogo da maneira que eu jogo.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Feliz 2007

Um ano de luz e alegria a todos.

Sinceros abraços aos amigos e inimigos.

sábado, dezembro 16, 2006

Consolide

Sabes que a dúvida é dádiva
mas não sabes de antemão
se a fraqueza é a solidez
ou se a força é a solidão

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Sobre a escolha

Espremida entre entrada e saída,
ela naturaliza a eternidade
faz do encontro a despedida,

aproxima-te da morte.

De um tiro só, mata o acaso;
agridoce decisão de ordem
subscreve em tua vida um prazo.

Forja-te adulto, incauto, inculto.
A mestra das encruzilhadas
edita o entrópico insulto.

Mas, das coisas imateriais, a medida
nada mais é que um gargalo
de onde brota força de vida...

quinta-feira, novembro 30, 2006

A ventura

A salto,
humanos para o alto!

A ventura
é vento de loucura

Qualquer sorte
de grandeza
às vezes é a morte
às vezes,
a fortuna

terça-feira, outubro 31, 2006

Solidez

Desfruto do descanso na encosta
na pausa cuja causa é a ação
ou o vento da vida imposta

Antigos sonhos têm hoje a realidade da poeira,

sólida e de passagem

Daqui vejo a paisagem viva
esperando que o panorama
se torne perspectiva,

sólida como miragem...

Os sonhos estão acima de mim,
de minha retidão e torpeza,
num tear e desfiar sem fim,

numa sólida imagem!

As escolhas são como a juventude doce, ou mais,
em que os sonhos não se concretizam,
paralisam
e todas as possibilidades são reais

terça-feira, setembro 19, 2006

Sobre a nova casa

se o seu sangue se espalha
se o céu seu é azul
se o seu sol é fornalha,
não viste a cidade-avião,
em forma de cruz.

O lar dos três elementos:
o fogo que queima de cima
o ar que esfria para amar
o pó que engasga e anima
e a água que não há,

a não ser em Paranoá
e suas ondas azuis.

terça-feira, setembro 12, 2006

Feriadão

No feriadão tiramos um tempo
pra acertar os relógios errados

E não obstante a falta de asas
no feriadão voamos juntos

quinta-feira, agosto 31, 2006

Adaptação

meus pensamentos a mim mesmo
reverberam
nas paredes da casa a esmo
da casa que não é a ninguém mais
são meus
é minha
são minhas
só minhas
só eu
só
aqui.

Faltam aqui receptores
no deserto
para eivar-me de balas
ou de flores.
-- Se não há ninguém por perto,
por que não te calas?

domingo, julho 30, 2006

Braço curto

E planícies e planaltos e ares secos e molhados
e cidades e estados e desencontros e lamentos
com sentimentos e tecnologias sensíveis falhas
e mil quilômetros e falta de trocados
e vidas profissionais e desentendimentos
com o tudo-o-mais cotidiano que atrapalha

e o passar das horas.

Todos me impedem de fazer o que quero agora

... estender a mão e te fazer um carinho.

Marcus 30.07.06

sábado, julho 08, 2006

Verde grama

Olho para frente
e vejo o futuro que já passou
e os olhos tristes de mágoa
e a solidão espreita à distância

todos os sonhos que nem nasceram
todas as auroras que já morreram

pelo presente, que sacramenta o passo inevitável

ultrapassarei
a porta em que um mundo novo me espera
mas só consigo pensar no que deixei
para trás
na porta (em) que agora bate(s)

Marcus 08.07.06

quinta-feira, junho 22, 2006

Só pra extravasar

Aaeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!
Valeu todo mundo que acreditou, vou em busca do sonho!
Depois falo melhor, essa é só pra extravasar...

E quem tiver dicas de onde morar em Brasília, por favor me conte logo!!

quarta-feira, maio 31, 2006

O peso

sobre mim na hora do sono
não era de corpo no corpo
mas sim de puro abandono.

Inadvertidamente
verti a noite em lamento,
meu sono saiu pelos olhos
por horas e horas sem fim.
O peso dos pensamentos
ruiu o suporte de mim.

Escombros, peço passagem.
Desmonto o seu desespero
em busca de nova coragem.

Marcus 31.05.06

domingo, maio 28, 2006

Machs einfach

(2raumwohnung)

es ist spät oder auch früh
und ich mach was was ich noch nie
zuvor getan hab was ich noch nie
zuvor getan hab

ich fahre durch nasse strassen
ich will alles nichts verpassen
zwischen traum und tag
zwischen traum und tag

ich hab ein ziel
ich weiss genau was ich nicht will

ich will dich nicht kennen
will nichts von dir wissen
wenn wir uns wieder trennen
werd' ich dich nicht vermissen

langsam geh ich durch die räume
ich geh durch meine dunklen träume
ich bin bereit
trinke tropfenweise zeit

terça-feira, maio 23, 2006

Vidas paralelas

O longe demasiado
é o constantemente perto.
Corro tendo-te ao lado
prum destino que é certo:

não ser por ti transpassado
--o que ainda é bonito;
pois, se estamos separados,
convergimos no infinito.

Marcus 22.05.06

terça-feira, maio 16, 2006

Testemunha Ocular

(Thaide e Dj Hum)

Diante de toda aquela confusão
me dei conta de que também
precisaria me proteger

Proteger do quê?
Mesmo sem saber,
me pus a correr
para não sofrer

15 viaturas
8 cavalos
5 motos
50 homens do comando militar
se atropelavam disputando qualquer espaço
com a comunicação que também estava lá

Registrando o tumulto de cima do muro
estava um cinegrafista amador
abismado com a cena terrível
a coisa mais bizarra
que um dia em sua vida ele já gravou

Escutem! Testemunha ocular!
(Pânico em esse-pê!) (2x)

O povo no pinote
os cavalos no trote
derrubavam tudo que havia pela frente
dor, medo,
angústia, revolta
lágrimas na fuga dos inocentes

Alguns corriam pra suas casas
pensando esse ser um bom lugar
para se salvar
Outros desesperados,
mas não com aquele fato,
e sim pelo fato de não ter aonde morar

O problema todo acontecendo
e o público privilegiado
assistindo a tudo aquilo
rindo à toa
com a família numa boa
se deliciavam com aquele agito

segunda-feira, maio 15, 2006

Estranhamento

Foi só eu acordar pro mundo e a primeira coisa que eu descubro é que São Paulo virou o Rio de Janeiro?!

Anistia

acabaram as provas!! Estou de volta do exílio! Enquanto espero o resultado, podem me chamar pra TUDO!!!

Beijos e abraços

quarta-feira, maio 10, 2006

Na transcendente

O eu interior
viu o seu de fora
e naquela hora
desejou o louvor

que já evadira.
Ao tornar-se o sonho
percebeu tristonho
que se reduzira.

Marcus 09.05.06

Economia

Econometria
recorta o esquadro
no quarto
amplia o quadro
exato

Economentira
revolta, volta
na porta
A vida é a vida
torta

Econometia
aborda e usa
a louca
transborda e lambuza
a boca

Econometrava
desfeita agora
é feita
A hora é
imperfeita

Economiava
quieta e reta
um parto
bem ali no canto
do quarto

Marcus 09.05.06

quinta-feira, maio 04, 2006

No time to play

Cutuquei o cadáver e ele não mexeu
cutucou meu cadáver e ele nem mexeu
Onde está
onde está
o tempo que era meu?

quinta-feira, abril 27, 2006

Pendulando

Vedo as entradas do vestíbulo
o nada logo prevalece

Meu som pranteado cruza a treva
e volta

O oco escuro e cúbico
nota o cavo profundo da alma

reverbera
no peito ressoa
desespera

mas se esvazia
e me deslustra
mas me deslumbra
e sente o dia.

Acabo de acordar.
Distraído, percebo que já esqueci o sonho.

Marcus 27.04.05

domingo, abril 23, 2006

Inconstância

Colhe a lua, mas não a esperes
pois a lua é mutante no céu
ela ama, inflama e fere
e faz aviões de papel.

A lua errática desatina
pois não possui luz, mas reflexo
do sol que a ilumina
nas noites quentes de sexo.

Entre a estrela e a lua, já disse, sou lua
pois a lua é inconstante
às vezes, amiga
às vezes, amante.

Marcus 19.04.06

sexta-feira, abril 21, 2006

Oito dias

Bom galerinha, pra todos que me pedem notícias: vai começar a última fase do concurso!
Tem menos de duzentas pessoas, cem vagas, estamos dentro dos 30 melhores so far!

É a hora da fé, e do estudo!
Vou passar um bom tempo sem passar por aqui, mas espero boas energias de todos vocês!

Desejem-me sorte!
(E deixem comentários!)

Žert

a Kundera

--
Sempre gostei de brincadeira,
mas dela virei vítima.
Como bom apostador, nunca paguei todos os meus blefes.

E meu blefe
despretensioso
desinteressado
feito assim de brincadeira

você não aceitou.
E o que pouco importava
imensamente me frustrou.

Marcus 21.04.06

Concentração

A concentração
concentra a ação
no centro.

Centros concêntricos
centralizam as margens
paralisam
na marginalização.

O sítio são flores
são cores
são livros.

E tudo é só estudo.

Falta tu.

Marcus 21.04.06

O vento sudoeste

Súbito percebo-me insulado;
as pontes não objetam o outro lado.
Como em um cérebro bêbado, em minha vida
sobrelevam as sinapses falidas.

Acordei com ressaca após beber nada.
A ressaca subiu a praia
chegou na calçada
molhou os pés.

O cheiro de chuva vem do sul, do oeste,
recolhe a embarcação o pescador.
Mas o novo dia de fé me veste
se vem a ventania do amor.

Marcus 21.04.06

sexta-feira, abril 14, 2006

Capricho

Caprichei no meu capricho
e no processo
tornei-me bicho.

O instinto é coisa tinta
é coisa tonta
adjacente.

Marcus 14.04.06

Coração

O cara cora, ora
A musa ousa, usa
a vida ida.

A mente mente.

Marcus 14.04.06

Luciferiando a dois

anjos caídos
ruas da vergonha

Duas almas alíferas ceifadas se chocaram
desnorteio momentâneo
enlevo sucedâneo
do sangue que ainda jorrava das costas

Fumaças negras se elevaram em espiral
O cáustico invadiu as carnes dos homens
Um rufar sinistro se elevou sobre as cores
E com o soar dos pratos veio o sol

sol que indiscrimina todos

A rua não deixou de ser de vergonha
mas mesmo desalados eles ganharam
o ar
a noite
a cama

e dia após dia estatuíram
que amor impuro não deixa de ser amor

Marcus 14.04.06

terça-feira, março 28, 2006

La espera

-de Borges, em Historia de la Noche (1977).

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Antes que suene el presuroso timbre
y abran la puerta y entres, oh esperada
por la ansiedad, el universo tiene
que haber ejecutado una infinita
serie de actos concretos. Nadie puede
computar ese vértigo, la cifra
de lo que multiplican los espejos,
de sombras que se alargan y regresan,
de pasos que divergen y convergen.
La arena no sabría numerarlos.
(En mi pecho, el reloj de sangre mide
el temeroso tiempo de la espera.)

Antes que llegues,
un monje tiene que soñar con un ancla,
un tigre tiene que morir en Sumatra,
nueve hombres tienen que morir en Borneo.

Ansiedade

A lua gira louca no céu
O ponteiro corre lânguido na mão
Sou candidato e também o réu.

Lots of things happening, all at the same time over and underneath and undercover

Ansioso em te ver
Que o tempo passe
que o dia termine
que a vida se anime
que a treva não me cace
que venha o que há de ser.

Fucking rollercoaster.

Marcus 28.03.06

Esperança

É hoje o tão esperado 28. A vela tirita, mas está mais acesa do que nunca. Muita fé, muita fé mesmo.

sexta-feira, março 17, 2006

Passado e presente

Engraçado olhar registros escritos do passado, não? Hoje me peguei no meu blogue antigo, lendo o que eu costumava postar por lá. A maioria é uma grande besteira, é inevitável aquele sentimento de superioridade que pensa "como eu era imaturo". É fato que sei alguma coisa da vida, talvez mais que antigamente. O quanto, não sei, provavelmente não muito. Mas um trecho acabou por me recordar de que certas coisas nunca mudam... essa é de 9 de setembro de 2002.

"Eu curto birita pra caramba. Se vc vai ler isso aqui, saiba q eu vou provavelmente escrever aqui chapado algum dia. Por enquanto não, eu apostei com a Karen, uma mina da facu, que o dia q ela parasse de fumar eu parava de beber. Q aposta burra, eu sei, mas eu achei q ela nunca iria parar. Mas parou. E por causa dela já estou 5 dias sem beber... qdo acaba isso?"

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For the record: muito tempo se passou, mas a gente continua se cobrando. A Karen nunca parou de fumar por um tempo respeitável. E eu estou novamente há 5 dias sem beber.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Ein Elefant für dich

Resposta do meu outro eu (o que aparece após um mate com maracujá e uma boa refeição) ao chorão aí de baixo.

Liebe, kein Problem wenn du ein bisschen traurig bist. Ich werd' ein Elefant für dich.

(de Wir Sind Helden, do álbum "Von Hier An Blind")

Ich seh uns beide, du bist längst zu schwer
Für meine Arme, aber ich geb dich nicht her
Ich weiß, deine Monster sind genau wie meine
und mit denen bleibt man besser nicht alleine
Ich weiß, ich weiß, ich weiß und frage nicht
Halt dich bei mir fest, steig auf, ich trage dich
Ich werde riesengroß für dich
Ein Elefant für dich
Ich trag dich meilenweiter
Übers Land

Und ich
trag dich so weit wie ich kann
Ich trag dich so weit wie ich kann
Und am Ende des Wegs, wenn ich muss
trage ich dich
trag ich dich über den Fluss

Einer der nicht sollte, weint am Telefon
Und eine die nicht wollte,
weint und weiß es schon
Deine Beine tragen dich nicht wie sie sollten
So oft gehen die,
die noch nicht weg gehen wollten
Ich weiß, ich weiß und ich ertrag es nicht
Halt dich bei mir fest, steig auf, ich trage dich

Ich werde riesengroß für dich
Ein Elefant für dich

Mood indigo

Os acontecimentos ruins nos deixam chateados, putos, resignados. Mas tudo passa, porque é da vida lidar com eles, ficamos melhores nisso com o tempo. Problemas são problemas porque têm, por definição, uma solução.

Já o que é não é remediável, remediado está.

O pior de tudo é ser incapaz. Um espectador no palco da vida, que se vê objeto e não sujeito de uma situação. E não consegue mudá-la, o que necessariamente significa que o problema já está remediado.

Estou triste. Por ser incapaz de deixar alguém feliz.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

365

Um ano. Simplesmente o melhor de todos os que passei! Pois é, um ano de namoro, parabenizem-nos!

Um coração bate na parede, outro em cima do computador, mas nada como os que estão no peito e se procuram...

Um abraço forte a todos, de pura felicidade!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Anticlímax

as provas trouxeram um gosto estranho na boca, do tipo de um final decepcionante de um filme intrigante. Não foi mau, nem foi muito bom. Mas acho que era pra ser assim mesmo. Não sei o que eu esperava que aconteceria agora... só a incerteza era possível... afinal, o resultado só sai em março mesmo...

É bastante tempo pra rezar! You all, wish me luck!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Sinapses

As ondas eletromagnéticas do cérebro estão com tudo. Velocidade de Fórmula 1. Cérebro a mil, foco. Um só.

Perdoem-me os que carecerem de atenção neste momento. Meu objetivo clama por mim.

Verbal Kint está a quatro dias de atirar. Logo poderá se transformar em Soze.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Palavra de ordem

Chegou a hora de priorizar as coisas. Pela ordem: concurso, trabalhar para pagar as contas, pessoas muito queridas, eu mesmo. O resto fica pra depois do dia 12.

E a contagem regressiva já recomeçou: NOVE...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Envilecimento

Hoje o sol ameaçou sair,
mas nuvens logo o dominaram
e com rápido esforço enterraram
um sonho finado do porvir.

E ao gris nosso corpo acostumado
vê anos que escorrem pelos dedos.
Se as chances perdidas viram medo,
radicais livres não são os culpados

por nosso envelhecimento.
A sombra que sempre nos testa
gorjeia cada vez mais no vento

e prolifera na luz sua fresta.
Eis que minha velhice aumento
se um sonho a menos me resta.

Marcus 30.01.06

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Roulette russe

Rápido arrisca
atira
mira
resta
rien à voir

Tento treino tenso
atiro
tiro
testa
tiens le voir

sento penso manso
suspiro
cesta
sesta
vamos comemorar!

Marcus 26/01/06

Isolado

Da janela vejo o nada
lá há noite iluminada
um salto para o vazio.

Frio, frio!

Não quero pensar em dinheiro.
Preciso dormir, mas
nos tentáculos dos lençóis
mora a luz que têm mil sóis.

Em minha mente sonolenta
a maré se arrebenta.
Alma que agora jaz,

verás do que sou capaz.

Marcus 26/01/06

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Shaft wannabe

Estou deixando o cabelo crescer, já há três meses. Estou tentando as costeletas também, mas tá difícil. É foda ser imberbe.

Hehehe, can you dig it?

Recados no comments

A dor me agita
bem quando sou seu
faz-me sair sem querer

ó dor maldita
dói duas vezes
mas só uma pra valer

se inflama e irrita
ela faz doer mais
por não poder mais te ver.

Marcus 03/04/05

--

A melodia ecoa
reverbera ali, macia
e lentamente a noite vira dia

Marcus 02/03/05

quarta-feira, janeiro 04, 2006

As we were speaking of dreams...

...2006 é o ano da realização do sonho.

Fiquei intrigado ao fazer um balanço de 2005, que marcou uma nova fase pra mim. Um ano em que encontrei mais paciência para lidar com meus desafios, ainda que a impulsividade sempre tivesse funcionado. Foi ano da descoberta e geração de alguns e graves problemas, que não importaram nadinha. E da descoberta de algumas e gigantescas felicidades, que fizeram toda a diferença.

O ano começou tranqüilo desta vez, nada como o anterior, em que eu buscava novas perspectivas pra minha vida. Que por sua vez vai bem, obrigado. O 2006 envolve mudanças, transformações aparentes, mas não reais. O sonho segue desabrochando, encontrou nova lufada de ânimo em 2005. No ano passado, paramos pra respirar antes de mergulhar... agora já estamos embaixo d'água a procura de novos tesouros.

E seguimos sem medo de arriscar... já diria o glorioso Chewie, irmão e camarada de Bigode: "A vida é como um eterno pulo de pára-quedas".

Pra inspirar, segue o poema "A Pedra Filosofal", do genial português António Gedeão.

Abraços e feliz 2006 a todos!
Marcão
"Se a vida segue/ o sonho se persegue."

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Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

- António Gedeão, in "Movimento Perpétuo", 1956

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Sistema decimal

Ganhamos na véspera de Natal uma nova posição à esquerda no sistema de numeração mais difundido do mundo! Parabéns pra nós dois, Liebchen!!! Te amo!

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Da Wikipedia

"O sistema decimal é um sistema de numeração posicional que se utiliza de 10 símbolos para representar grandezas (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 9), e por isto é chamado sistema base 10.

Alguns historiadores supõem que o sistema foi adotado pelo homem primitivo por compatibilidade com o número de dedos das mãos, artifício usado no princípio para contar as coisas do mundo, como seus bens, rebanho e dinheiro.

O sistema base 10 competiu, para se tornar o sistema padrão, durante uma fase longa da história da humanidade com o sistema de numeração base 60, cujos resquícios ainda são vistos no sistema de divisão do tempo, 1 minuto de sessenta segundos e 1 hora de sessenta minutos, e na trigonometria, onde o círculo é dividido em 360 graus (6x60).

O sistema baseado em 60 é interessante porque 60 é divisível por 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20 e 30, enquanto que 10 é divisível somente por 2 e 5. O maior número de divisores torna o sistema em base 60 muito mais prático para a divisão de grandezas (pesos, medidas, etc)."

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Parece pouco encher as mãos, mas não é! Mas logo logo estamos mudando de sistema, se o hexadecimal é melhor como dizem, só nos resta esperar até os primeiros 60!

Mas por enquanto vamos usando os dedinhos dos pés, amando com calma...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Concretude

Da planta fez-se prédio,
da nuvem fez-se chuva.
Dos sonhos fez-se o tédio
que no ar se dissipou.

Dos corpos, fez-se turba
e do tempo, o intermédio
que o vento já levou.

Marcus 21.12.05

terça-feira, dezembro 20, 2005

Hora da verdade

Deu a hora de enrolar. Tá na hora de encarar a prova de novo. Vamo acordar, vamo acordar!

Duas citações pra ver se vai:

"As folhas mortas se recolhem com uma pá,
as lembranças e os pesares tambem..."
- Jacques Prevert

"Ei, ei, vamo acordar, vamo acordar!
Porque o sol não espera, demorou, vamo acordar!
O tempo não cansa!
Ontem à noite você pediu, você pediu...
uma oportunidade, mais uma chance
e como Deus é bom, não é não, nego?
Olha aí, mais um dia, todo seu...
que céu azul louco, hein?

Vamo acordar, vamo acordar...
Agora vem com a sua cara, sou mais você nessa guerra
A preguiça é inimiga da vitória,
o fraco não tem espaço
e o covarde morre sem tentar...
Não vou te enganar:
o bagulho tá doido, ninguém confia em ninguém, nem em você,
e os inimigos vêm de graça.
É a selva de pedra, ela esmaga os humildes demais.
Você é do tamanho do seu sonho.
Faz o certo, faz a sua, vamo acordar, vamo acordar...
cabeça erguida, olhar sincero
Tá com medo de quê? Nunca foi fácil...
Junta seus pedaços e desce pra arena
mas lembre-se, aconteça o que aconteça,
nada como um dia após o outro dia"

-Mano Brown, "Sou Mais Você"

Paródia

Se eu tivesse, se eu tivesse vários vícios / Eu seria também um Marcus Vinicius
Se além de imorais fossem um montão/ Não seria o de Moraes, mas o Marcão!

Saudade

Sol vermelho esquisito
verde relva em que me deito
Azul do lençol o leito
Em que me encho de vinho tinto.

Cinza o dia em que choro
Pardos eu e o papel
Anil já passou no céu
Alva a mão ao qual imploro.

Rosa a flor que um dia eu vi
Cega ao amor nossa lei
D'ouro o dia em que te achei
negro o dia em que perdi.

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Marcus 02.04.99

Emboscada

Na trilha do pensamento
lancei luz nos vãos escuros
livrei-me dos vãos e impuros
perpassei o meu lamento

E em seus trechos mais duros
não escondi o meu tormento.
Deitei voz à liberdade
voz que até hoje aumento

Não a vi por vaidade.
E, foi assim que, eu juro,
por via do sofrimento
tornei-me prioridade.

---
Marcus escrito em 21.12.04

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O triunfo da racionalidade

Que me perdoem os emófilos. Sinto que o anger, o anxiety, o time, o discipline e todos os outros managements são processos passando por uma série de dificuldades conjunturais. É necessária uma gestão muito mais racional, pra não dizer "fria", de todos os meus recursos. Sei que vai ser difícil, mas a emoção vai sofrer cortes drásticos nos próximos orçamentos da união.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Anger management

A vida já chegou à 25a. virada e ainda não consegui uma maneira hábil de controlar a minha raiva. Houve épocas em que eu era bem mais tranqüilo, inspirava mais paz, expirava mais alegria. Parece que às vezes volto aos 10 anos de idade, quando eu sentava a mão nos autores das piadinhas racistas infantis. Sei que responsável por isso provavelmente é a tensão pré-exame, ouvi falar que o edital sai hoje ou amanhã.

Pelo menos não vou me incomodar mais com rusguinhas inúteis, como as das facções de RI. Eu cansei dessa briguinha, se um fulaninho manda mensagem obviamente ofensiva (embora eu não saiba a quem exatamente, mesmo tendo bons palpites), não vou me indignar com a hipocrisia que paira sobre todos, principalmente nos falsos moralistas com cara de santo.

Minha tática agora é a do amor. Amo a Beta, minha família, meus amigos. Gosto dos inimigos também, e enquanto meu anger management funcionar, darei a outra face.

quarta-feira, novembro 30, 2005

De quem está quase ficando mais velho

Mais um do xará.

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Soneto de Aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

--Vinicius de Moraes, in "Antologia Poética", 1954.

Síndrome de Keyser Soze

Como é triste depender tanto de uma única chance! A prova está aí, e tudo depende da única bala que ainda tenho no meu arsenal e treino diariamente pra usar.

Como diria Verbal Kint: "Como se atira no diabo pelas costas? E se eu errar"?

O maior truque do diabo foi mesmo convencer o mundo de que ele não existia... e aí, puff!, ele se foi.

Pandora

Abri a caixa dos meus sonhos
e agora os forço de volta pra caixa
encaixo-os de volta com força
mas tristonho me queixo

pois sei que alguns hão de se transformar.

Inferno astral

O mês de dezembro está chegando... e com ele a época das Festas! Que coisa magnífica! Vocês sabem, se diz Festas ou Holidays em homenagem às três maiores comemorações do mundo ocidental: o Natal, o Ano Novo e o meu aniversário! Sim senhores, dia 7 de dezembro finalmente este que vos fala vai completar um quarto de século de existência! Vai ter festinha sim, mas nada muito chique não... fiquem atentos!

Falando em presentes, já sei de um que quero... o título do Brasileiro pro Coringão no domingo! E com mais de quatro pontos de diferença pros secadores e invejosos de plantão nem terem o que falar!

É meu mês, então nem me contrariem!