Libera essa matéria
a madeira no fogo nem sente
do corpo pra mente
no brilho a alumínio
aqui se transfigura
todo desígnio
quarta-feira, outubro 12, 2011
sexta-feira, setembro 02, 2011
Trança-pé
Na rua escura
o homem anda em
direção a seu destino
(Em que noite
nosso destino
não é decidido?)
eis que braço torcido
do solo ereto
vinga
a cicatriz de concreto
e ferindo o chão
aufere
tropeço também é ação
o homem anda em
direção a seu destino
(Em que noite
nosso destino
não é decidido?)
eis que braço torcido
do solo ereto
vinga
a cicatriz de concreto
e ferindo o chão
aufere
tropeço também é ação
quarta-feira, agosto 31, 2011
Por sonhos maiores que a noite
O fio da aurora dura só mais um passo
tece-se a última dança
na sombra
aquece-se o ar,
e a noite vai acabar
se vem a luz,
faltará veneno
para viver nesse mundo pequeno
quero mais nada a não ser respirar
por esses desejos de fumaça
Vencerei esse sol árido
que não há de brilhar hoje
até que os sonhos cheguem ao fim
Por uma ilusão completa em mim
tece-se a última dança
na sombra
aquece-se o ar,
e a noite vai acabar
se vem a luz,
faltará veneno
para viver nesse mundo pequeno
quero mais nada a não ser respirar
por esses desejos de fumaça
Vencerei esse sol árido
que não há de brilhar hoje
até que os sonhos cheguem ao fim
Por uma ilusão completa em mim
quarta-feira, agosto 10, 2011
Noite letrada
Abandona as vias cifradas e numeradas
Buscando novos códigos feito caça ao tesouro
Pelos parquinhos de flores negras
Pelos caminhos desprotegidos da noite aberta
Exposto aos raios, aos botes de estranhos
Aos potes e a banhos, aos corpos tacanhos
À psicologia oculta dos rebanhos
Brasília cidade
metrada e vadia
Vai da aritmética à poesia
Brasília, 15/10/2008
Buscando novos códigos feito caça ao tesouro
Pelos parquinhos de flores negras
Pelos caminhos desprotegidos da noite aberta
Exposto aos raios, aos botes de estranhos
Aos potes e a banhos, aos corpos tacanhos
À psicologia oculta dos rebanhos
Brasília cidade
metrada e vadia
Vai da aritmética à poesia
Brasília, 15/10/2008
Playtime
No pingue-pongue do peito
acreditando não acreditando
coração dança
aproveito
alma balança vem com efeito
devolvo a vida vai com força
vida avança
enquanto espreito
esperança no meu leito
no ziguezague do fogo
ainda ganho
do meu jeito
acreditando não acreditando
coração dança
aproveito
alma balança vem com efeito
devolvo a vida vai com força
vida avança
enquanto espreito
esperança no meu leito
no ziguezague do fogo
ainda ganho
do meu jeito
quinta-feira, julho 14, 2011
Negra rosa
Ao lado da parede do fundo da escuridão
onde só me alcança o vento
de dentro
No canto mais isolado da noite, impublicado
Há algo que alimento
E lá escorrego
escondo e rego
uma nesga de sentimento
onde só me alcança o vento
de dentro
No canto mais isolado da noite, impublicado
Há algo que alimento
E lá escorrego
escondo e rego
uma nesga de sentimento
segunda-feira, julho 11, 2011
Vazante
de repente a compressão no coração cheio
água vai transbordar
se a alma inunda
escorre mágoa
calma imunda sai
tudo sai nesses dois rios
pode parecer injusto
finda a correnteza
o povo migrante
mas pode esperar
nos leitos sombrios
depois da vazante
algo se move
afinal ano que vem
dizem que chove
água vai transbordar
se a alma inunda
escorre mágoa
calma imunda sai
tudo sai nesses dois rios
pode parecer injusto
finda a correnteza
o povo migrante
mas pode esperar
nos leitos sombrios
depois da vazante
algo se move
afinal ano que vem
dizem que chove
quarta-feira, julho 06, 2011
Bússola
Andando pelo deserto onde moro
perdido nas dunas do pensamento
de tão sério,
deslizo no desejo
estéril
sigo inerte caravanas de sede
migro buscando a terra
onde se age e erra
perdido nas dunas do pensamento
de tão sério,
deslizo no desejo
estéril
sigo inerte caravanas de sede
migro buscando a terra
onde se age e erra
sexta-feira, junho 24, 2011
Electro-pompe
Vedado do mundo
com meus desejos de escuro
(-ou meus escuros de desejo?)
eis que sinto o ebulir nos caldeirões de feitiço da alma
Isolado com meu bálsamo noturno
escuto a voz, rítmica e baixa
novamente canta algo essa caixa
bomba alimentadora
submersa no mangue
do meu sangue
com meus desejos de escuro
(-ou meus escuros de desejo?)
eis que sinto o ebulir nos caldeirões de feitiço da alma
Isolado com meu bálsamo noturno
escuto a voz, rítmica e baixa
novamente canta algo essa caixa
bomba alimentadora
submersa no mangue
do meu sangue
segunda-feira, maio 16, 2011
Pangeia
sentado na beira da terra
balanço as pernas
no cais aéreo
espero a nave que me fará atravessar
essa água a impor
tanto
delimita amor
e pranto
onde está o fim desse mar
que vela para que os continentes continuem assim, separados?
mantém-me longe da minha vida
onde quer que ela resida
balanço as pernas
no cais aéreo
espero a nave que me fará atravessar
essa água a impor
tanto
delimita amor
e pranto
onde está o fim desse mar
que vela para que os continentes continuem assim, separados?
mantém-me longe da minha vida
onde quer que ela resida
sexta-feira, abril 29, 2011
Ventania
Papelzinho decola no frio
doce voo sem asas
seu corpo solto
não pensa, só sente
a suspensa corrente
na brisa envolto
acaricia a cidade
desafia
a grave idade
seu destino fatal
chega mais rápido que ar
da noite de Dacar
doce voo sem asas
seu corpo solto
não pensa, só sente
a suspensa corrente
na brisa envolto
acaricia a cidade
desafia
a grave idade
seu destino fatal
chega mais rápido que ar
da noite de Dacar
quinta-feira, abril 21, 2011
Infecção
a hiperemia do meu peito
me toma o respeito
madrugada
se queima assim não vai restar nada
cresce em mim como um edema
poema que pune
meu sistema imune
Inspeto a pira, tá certo
inspira,
inseto
me toma o respeito
madrugada
se queima assim não vai restar nada
cresce em mim como um edema
poema que pune
meu sistema imune
Inspeto a pira, tá certo
inspira,
inseto
sábado, abril 09, 2011
Febre
Dança em delírio a madrugada
esse tempo de tudo e de nada
cintila e incendeia a calma que havia
Retornarei numa manhã fria,
mas a normalidade morna, apagada,
derreterá os cristais que levo em meus olhos
esse tempo de tudo e de nada
cintila e incendeia a calma que havia
Retornarei numa manhã fria,
mas a normalidade morna, apagada,
derreterá os cristais que levo em meus olhos
segunda-feira, março 07, 2011
Senciência
às vezes me pergunto
por que tanto me espalho por aí
ando o mundo inteiro atrás de um sentimento que já tive
tentando descolar a consciência de mim
... hoje acordei querendo ser enganado.
às vezes me pergunto
no que é que me espelho por aí
no vento, no vento,
não ser e estar,
ser e não ficar
se de verdade estou onde queria estar e faço
o que queria fazer,
com razão,
eu só queria mais coração
por que tanto me espalho por aí
ando o mundo inteiro atrás de um sentimento que já tive
tentando descolar a consciência de mim
... hoje acordei querendo ser enganado.
às vezes me pergunto
no que é que me espelho por aí
no vento, no vento,
não ser e estar,
ser e não ficar
se de verdade estou onde queria estar e faço
o que queria fazer,
com razão,
eu só queria mais coração
quinta-feira, março 03, 2011
Trincheira
vida fugaz
linha sozinha
a paz não me apraz
mergulhado em mim
vivendo eternidades de aridez
meu exército treina e espera
sem saber nem ao menos
de que lado entra na guerra
linha sozinha
a paz não me apraz
mergulhado em mim
vivendo eternidades de aridez
meu exército treina e espera
sem saber nem ao menos
de que lado entra na guerra
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Água mineral
Dia quente
e lindo
Envolto nessa alegria,
admito, não tive razão,
mas bem percebi que havia
uma fonte de água gelada
cristalina e doce
e fria
dentro da caixa pequena fechada
sincera e doce
e fria
Coração ainda de menino
Eu que morri e que vivo
dentro do mundo que imagino
Recuso o que emana do dia
dos sonhos felizes do ar
comungo só com o luar
que escalo na ventania
pra deixar a alma vazar
inteira
em cachoeira
e lindo
Envolto nessa alegria,
admito, não tive razão,
mas bem percebi que havia
uma fonte de água gelada
cristalina e doce
e fria
dentro da caixa pequena fechada
sincera e doce
e fria
Coração ainda de menino
Eu que morri e que vivo
dentro do mundo que imagino
Recuso o que emana do dia
dos sonhos felizes do ar
comungo só com o luar
que escalo na ventania
pra deixar a alma vazar
inteira
em cachoeira
terça-feira, fevereiro 22, 2011
Bronchitis
I still stand here wet
wishing you to float into that air of hopes again
I had devised a world in which the light of you that I smoked would never go out
And the soft texture of your skin never burnt me fingers and
chest and thought
The lonely sweet ashes into which you’d be slowly consumed could linger
by the toxic inhaling of dancing you
perfuming these lungs of mine
But when I was about to suck you in
I was left in the dark to cough alone
And light rain damned me as your fire just disappeared
wishing you to float into that air of hopes again
I had devised a world in which the light of you that I smoked would never go out
And the soft texture of your skin never burnt me fingers and
chest and thought
The lonely sweet ashes into which you’d be slowly consumed could linger
by the toxic inhaling of dancing you
perfuming these lungs of mine
But when I was about to suck you in
I was left in the dark to cough alone
And light rain damned me as your fire just disappeared
sábado, janeiro 29, 2011
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Natimorto
de certezas
o vento que varre lá fora
não traz um grão sequer
as mãos que se estendem
se contundem, se defendem
e a vida verdadeira ocorre em ciclos silenciosos de vício
em que o coração se alimenta de mil amores platônicos
impossíveis para quem já chora lágrimas para não mais precisar chorar
e assim me amordaço até que o grito que só eu escuto me enlouqueça
o vento que varre lá fora
não traz um grão sequer
as mãos que se estendem
se contundem, se defendem
e a vida verdadeira ocorre em ciclos silenciosos de vício
em que o coração se alimenta de mil amores platônicos
impossíveis para quem já chora lágrimas para não mais precisar chorar
e assim me amordaço até que o grito que só eu escuto me enlouqueça
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Laroyê
se nascemos à imagem de um deus
vermelho e preto me chamaram. posso
ser o movimento que te faz voar,
como balão,
ou a força que te prende no chão
ao corpo, sempre ao corpo
humano erijo-me
à terra vim, da terra
do solo pra guerra
se com ferro frio e quente feres
aceito o que tu me deres
vermelho e preto me chamaram. posso
ser o movimento que te faz voar,
como balão,
ou a força que te prende no chão
ao corpo, sempre ao corpo
humano erijo-me
à terra vim, da terra
do solo pra guerra
se com ferro frio e quente feres
aceito o que tu me deres
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