I still stand here wet
wishing you to float into that air of hopes again
I had devised a world in which the light of you that I smoked would never go out
And the soft texture of your skin never burnt me fingers and
chest and thought
The lonely sweet ashes into which you’d be slowly consumed could linger
by the toxic inhaling of dancing you
perfuming these lungs of mine
But when I was about to suck you in
I was left in the dark to cough alone
And light rain damned me as your fire just disappeared
terça-feira, fevereiro 22, 2011
sábado, janeiro 29, 2011
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Natimorto
de certezas
o vento que varre lá fora
não traz um grão sequer
as mãos que se estendem
se contundem, se defendem
e a vida verdadeira ocorre em ciclos silenciosos de vício
em que o coração se alimenta de mil amores platônicos
impossíveis para quem já chora lágrimas para não mais precisar chorar
e assim me amordaço até que o grito que só eu escuto me enlouqueça
o vento que varre lá fora
não traz um grão sequer
as mãos que se estendem
se contundem, se defendem
e a vida verdadeira ocorre em ciclos silenciosos de vício
em que o coração se alimenta de mil amores platônicos
impossíveis para quem já chora lágrimas para não mais precisar chorar
e assim me amordaço até que o grito que só eu escuto me enlouqueça
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Laroyê
se nascemos à imagem de um deus
vermelho e preto me chamaram. posso
ser o movimento que te faz voar,
como balão,
ou a força que te prende no chão
ao corpo, sempre ao corpo
humano erijo-me
à terra vim, da terra
do solo pra guerra
se com ferro frio e quente feres
aceito o que tu me deres
vermelho e preto me chamaram. posso
ser o movimento que te faz voar,
como balão,
ou a força que te prende no chão
ao corpo, sempre ao corpo
humano erijo-me
à terra vim, da terra
do solo pra guerra
se com ferro frio e quente feres
aceito o que tu me deres
terça-feira, novembro 23, 2010
De volta a Sampa
à meia-noite
da minha velha torre
revejo os sonhos que finjo querer esquecer
revisito a cidade revolta
e bem hoje
em vez de se conformarem
os cidadãos resolveram apaixonar-se
a chuva inflama e entope o formigueiro frio
súbito explodem
os corações contidos em cápsulas,
bondes,
baldeações
estou perdido no labirinto
cidade violenta
em que os sonhos sequestram e fazem reféns
da minha velha torre
revejo os sonhos que finjo querer esquecer
revisito a cidade revolta
e bem hoje
em vez de se conformarem
os cidadãos resolveram apaixonar-se
a chuva inflama e entope o formigueiro frio
súbito explodem
os corações contidos em cápsulas,
bondes,
baldeações
estou perdido no labirinto
cidade violenta
em que os sonhos sequestram e fazem reféns
domingo, novembro 14, 2010
Falsa idade
o raio que gira daquela torre
encontra um observador noturno,
que recebe e devolve
os sonhos na imensidão azul
a vida
é a morte do sonho
que é a morte da vida
na cidade dos sonhadores apaixonados
só vejo a implicância elegante
o desejo de vida e morte
do papel branco ao pó cinza, ao negro,
um cinismo fatalista charmoso
destituído de charme
na noite azul e amarela da cidade da luz
talvez eu esteja errado em continuar
querendo sonhar
negando a paz, negra paz
mas às vésperas dos trinta anos
só queria que meu coração batesse mais
Paris, 14/11/2010
encontra um observador noturno,
que recebe e devolve
os sonhos na imensidão azul
a vida
é a morte do sonho
que é a morte da vida
na cidade dos sonhadores apaixonados
só vejo a implicância elegante
o desejo de vida e morte
do papel branco ao pó cinza, ao negro,
um cinismo fatalista charmoso
destituído de charme
na noite azul e amarela da cidade da luz
talvez eu esteja errado em continuar
querendo sonhar
negando a paz, negra paz
mas às vésperas dos trinta anos
só queria que meu coração batesse mais
Paris, 14/11/2010
sexta-feira, outubro 15, 2010
Teu papel
Tuas linhas, tuas tintas
são letra e palavra
são ação, imaginada
Teu excesso de vírgulas
e reticências
prejudicam a sequência
então antes que, para o descarte,
eu te amasse,
saiamos deste impasse
são letra e palavra
são ação, imaginada
Teu excesso de vírgulas
e reticências
prejudicam a sequência
então antes que, para o descarte,
eu te amasse,
saiamos deste impasse
domingo, setembro 26, 2010
quinta-feira, setembro 02, 2010
Frete
importa qual o navio?
embarca-se mercadoria
sem medo de extravio
em toda partida dada
a vida será partida
a parte será selada
o sonho, cantiga ida
o sonho, fé renovada
em portos de qualquer porte
há mares imaginários
em surtos de toda sorte
amares imaginados
embarca-se mercadoria
sem medo de extravio
em toda partida dada
a vida será partida
a parte será selada
o sonho, cantiga ida
o sonho, fé renovada
em portos de qualquer porte
há mares imaginários
em surtos de toda sorte
amares imaginados
terça-feira, agosto 17, 2010
Barco
Acampando na sala de estar
eu deixo estar
de novo
Experimentar a covardia
é um exercício
do povo
Se eu me atrevesse a atravessar
o mar de dor e mágoa que nos une
o mar de paz e água que nos separa
me levaria o barco para o tudo e para o nada
para a vida por que anseia minha alma exilada
Mas o recomeço precisa de um tropeço
eu deixo estar
de novo
Experimentar a covardia
é um exercício
do povo
Se eu me atrevesse a atravessar
o mar de dor e mágoa que nos une
o mar de paz e água que nos separa
me levaria o barco para o tudo e para o nada
para a vida por que anseia minha alma exilada
Mas o recomeço precisa de um tropeço
quinta-feira, agosto 12, 2010
Minhas janelas para o mundo
Do escuro vejo piscando cruzes,
Sirenes que vão e vem, luzes,
Não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
Sei que estou longe, mas te penso aqui
onde a aurora de opala não te pode sentir
Não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
Da sala vazia, sombria, vejo um porto macio
Que leva pro dia, pra longe, pro frio
E não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
Sirenes que vão e vem, luzes,
Não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
Sei que estou longe, mas te penso aqui
onde a aurora de opala não te pode sentir
Não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
Da sala vazia, sombria, vejo um porto macio
Que leva pro dia, pra longe, pro frio
E não sei se emano minha solidão ou a colho da noite
quarta-feira, julho 07, 2010
Eterno ringue
a noite cai a mente vê
a paz não é fácil
como nunca será
numa sala escura fechada
meu coração cerra os punhos
e se prepara novamente
para lutar
a paz não é fácil
como nunca será
numa sala escura fechada
meu coração cerra os punhos
e se prepara novamente
para lutar
quarta-feira, junho 02, 2010
segunda-feira, maio 31, 2010
Harmattan
Essa neblina seca
transformou
o ouro é prata no céu
o sono é sede no chão
e a gente arenosa rola com o vento
esperando a chuva que alaga os sonhos
transformou
o ouro é prata no céu
o sono é sede no chão
e a gente arenosa rola com o vento
esperando a chuva que alaga os sonhos
quarta-feira, abril 28, 2010
sábado, abril 03, 2010
Crescente vermelho
ódio rasgado na curva
unha enterrada, num corte cirúrgico,
neste despertador movido a sangue
que um dia há de me fazer acordar
para a eternidade
unha enterrada, num corte cirúrgico,
neste despertador movido a sangue
que um dia há de me fazer acordar
para a eternidade
quinta-feira, março 25, 2010
Não lugar
A nuvem de poeira vem do deserto
da beira da minha costa
voa longe o coração mais perto
estive onde vira o mundo
que vaga e vive, vagabundo,
odiando o que você mais gosta
da beira da minha costa
voa longe o coração mais perto
estive onde vira o mundo
que vaga e vive, vagabundo,
odiando o que você mais gosta
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Comprando cigarros
Não achei que fosse tão fácil sumir, e não é. Sair de cena como fosse ao cinema ou, clássico é clássico e vice-versa, dar uma volta para espairecer e comprar um Marlboro Light no boteco da esquina.
A vida é tão interligada que está sempre mais difícil desaparecer de vez. Claro que o Brasil de hoje não é tão diferente do de antigamente, ele ainda é meio Central do Brasil. Uma ida do interior de Pernambuco à periferia do Rio de Janeiro, nas infindáveis horas do busão ou da boleia do caminhão, ainda pode desmembrar uma família, mas hoje o sumiço é muito mais difícil. Hoje sempre há um telefone celular que alguém ainda conheça, um amigo-cúmplice que eventualmente dá com a língua nos dentes, uma conta de e-mail perdida que você não teve coragem de apagar, como um cordão umbilical que ainda te une ao mundo a abandonar.
Vejam por exemplo o coitado do Belchior, só queria abandonar honestamente a mulher e os filhos, como tantos que o precederam, mas tinha o Fantástico para achá-lo no interior do Uruguai. Interior do Uruguai! Não basta mais morar na periferia ou numa favela, como o Hulk do Rio. A localização familiar já se expandiu ao Mercosul.
Claro que os anônimos contemporâneos também têm problemas. Hoje não há mais, por exemplo, a ditadura pra sumir com você; só a violência das cidades, a polícia, os bandidos. Mas isso não é sumir com qualidade. O sumiço ideal tem de ficar cristalino como sumiço, não pode parecer crime. Ou você quer sua foto estampada nas contas de luz da CEB, no intervalo do Linha Direta ou de alguma novela da Gloria Perez? Aí te acham. E a família desesperada nos seus calcanhares? Vai te deixar em paz? Muito melhor se, mesmo não tendo a capacidade de argumentar, de implorar a sua não-partida ou mesmo de ofender, a criança ranhenta ou a moça grávida saibam que você é um cafajeste, um pilantra, um covarde que simplesmente resolveu dar um restarte numa vida não-recomeçável. E é melhor pagar as contas antes de sair, para sumir sem o SPC bloquear o seu cartão escondido, para evitar credores em geral, que têm sabujos ainda mais eficientes que os das mães solteiras e encontram qualquer Zé Carioca em uma lata de lixo escondida.
Esse é o mundo de hoje. Mesmo aqui na África Ocidental, do outro lado do Atlântico, numa cidade de 2 milhões de habitantes, tenho todas essas tretas localizadoras: e-mail, orcute, feicebuque, celulares, emprego com página na internet e telefone, conta no banco e carteirinha. Mais localizável que se estivesse pregado num banco de madeira no Rei das Batidas numa quinta à tarde ou sentado no vão do MASP na véspera de Natal às 10h da manhã.
Se um dia precisar sumir, vou ter que ir ainda mais longe, para uma cidade ainda mais populosa ou remota. Apagar todos perfis e cancelar e-mails, pagar contas e, principalmente, começar a fumar. Aí vou poder tranquilamente sair para comprar, como diria o amigo Xico Sá, o king size sem filtro do abandono.
A vida é tão interligada que está sempre mais difícil desaparecer de vez. Claro que o Brasil de hoje não é tão diferente do de antigamente, ele ainda é meio Central do Brasil. Uma ida do interior de Pernambuco à periferia do Rio de Janeiro, nas infindáveis horas do busão ou da boleia do caminhão, ainda pode desmembrar uma família, mas hoje o sumiço é muito mais difícil. Hoje sempre há um telefone celular que alguém ainda conheça, um amigo-cúmplice que eventualmente dá com a língua nos dentes, uma conta de e-mail perdida que você não teve coragem de apagar, como um cordão umbilical que ainda te une ao mundo a abandonar.
Vejam por exemplo o coitado do Belchior, só queria abandonar honestamente a mulher e os filhos, como tantos que o precederam, mas tinha o Fantástico para achá-lo no interior do Uruguai. Interior do Uruguai! Não basta mais morar na periferia ou numa favela, como o Hulk do Rio. A localização familiar já se expandiu ao Mercosul.
Claro que os anônimos contemporâneos também têm problemas. Hoje não há mais, por exemplo, a ditadura pra sumir com você; só a violência das cidades, a polícia, os bandidos. Mas isso não é sumir com qualidade. O sumiço ideal tem de ficar cristalino como sumiço, não pode parecer crime. Ou você quer sua foto estampada nas contas de luz da CEB, no intervalo do Linha Direta ou de alguma novela da Gloria Perez? Aí te acham. E a família desesperada nos seus calcanhares? Vai te deixar em paz? Muito melhor se, mesmo não tendo a capacidade de argumentar, de implorar a sua não-partida ou mesmo de ofender, a criança ranhenta ou a moça grávida saibam que você é um cafajeste, um pilantra, um covarde que simplesmente resolveu dar um restarte numa vida não-recomeçável. E é melhor pagar as contas antes de sair, para sumir sem o SPC bloquear o seu cartão escondido, para evitar credores em geral, que têm sabujos ainda mais eficientes que os das mães solteiras e encontram qualquer Zé Carioca em uma lata de lixo escondida.
Esse é o mundo de hoje. Mesmo aqui na África Ocidental, do outro lado do Atlântico, numa cidade de 2 milhões de habitantes, tenho todas essas tretas localizadoras: e-mail, orcute, feicebuque, celulares, emprego com página na internet e telefone, conta no banco e carteirinha. Mais localizável que se estivesse pregado num banco de madeira no Rei das Batidas numa quinta à tarde ou sentado no vão do MASP na véspera de Natal às 10h da manhã.
Se um dia precisar sumir, vou ter que ir ainda mais longe, para uma cidade ainda mais populosa ou remota. Apagar todos perfis e cancelar e-mails, pagar contas e, principalmente, começar a fumar. Aí vou poder tranquilamente sair para comprar, como diria o amigo Xico Sá, o king size sem filtro do abandono.
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Setor hoteleiro full-time
na esse-dois perto da esquina com a dáblio-três
por baixo do eixinho-ele
debaixo da sua pele
nos vácuos da luz
a noite fuma meninas,
eonistas e insultos
nas pistas da Viadulto
é o lixo que seduz
eis o programa de voo do avião
por onde passe,
da primeira à nona classe
por baixo do eixinho-ele
debaixo da sua pele
nos vácuos da luz
a noite fuma meninas,
eonistas e insultos
nas pistas da Viadulto
é o lixo que seduz
eis o programa de voo do avião
por onde passe,
da primeira à nona classe
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