quinta-feira, dezembro 22, 2011

Passageira

quando passa,
a repulsa passa
ternura
sentimento que enlaça
e perjura

o delicado da tua certeza
despeço a teu mando
não passo do estelionato
dos teus hormônios

vai passar

e, enquanto é posta a mesa,
seguirei dançando
ao som das solas dos sapatos
dos meus demônios

até passar

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Em meio à areia

Na areia não cresce nada

é fácil viver no clima seco
a principal conclusão é ser prático:
faça o que quiser nessa temporada
na areia não cresce nada

mas veio água e a visão
de um rio límpido em meu caminho
e canais por onde a água corre para nutrir
os jardins onde finalmente
encontraria uma morte doce
para meus sonhos de semente

pateticamente hesito a germinar
mas te peço
me espere só mais um pouco, riozinho

se a fragilidade da vida respeito
agora pelo menos sei
que ainda bate algo no peito

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Harpoon

I thrust my mind into your barrier of darkness
obsessively trying to bridge
the gap

the thoughts I throw to you go ashore
over and over
deflected by a shadow,
I can barely feel you

submerging

If only I could have you plunge
into my own void of oblivion

I'd be satisfied to be adrift in these black waters

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Desengano

Romper o dia da vida
espairado na desinquietude
da aceleração do tempo

ao lado todo mundo morre

com a pressa celebram bodas
vai aonde essa corrida?

à maior ilusão de todas

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Entorse

Saltando ao alto iluminado
largando ou recolhendo
os sonhos do ar gelado
ao meu peito
rarefeito

esforço
só quando me faço sólido ao solo
aterrisso, torço
em atropelo

tornando ao zelo